FAO identifica razões de principais fluxos migratórios de América Latina e Caribe

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a migração está intimamente relacionada com os territórios rurais, onde as pessoas enfrentam mais pobreza e menos oportunidades, problemas de violência e de execução da Justiça, bem como os efeitos da mudança climática.

O fenômeno migratório é particularmente intenso e complexo no México e nos países do Triângulo Norte das Américas: El Salvador, Guatemala e Honduras. Dos quase 30 milhões de migrantes internacionais latino-americanos, quase 15 milhões são desses países, dos quais 11 milhões vêm do México.

Mulher foge da violência em El Salvador por meio de trilhos de trem em Chiapas, no México. Foto: ONU

Mulher foge da violência em El Salvador por meio de trilhos de trem em Chiapas, no México. Foto: ONU

Tão importante quanto a salvaguarda dos direitos humanos dos migrantes em todo o mundo é oferecer melhores oportunidades para eles e suas famílias em seus lugares de origem, disse a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), na ocasião do Dia Internacional dos Migrantes, lembrado em 18 de dezembro.

“O posicionamento da Organização não significa uma intenção de reter pessoas para sempre em seus lugares de origem, mas garantir que elas tenham as condições necessárias para decidir livremente se permanecem em casa ou se migram para outro local”, disse Luiz Carlos Beduschi, oficial de desenvolvimento rural da FAO.

De acordo com a FAO, a migração está intimamente relacionada com os territórios rurais, onde as pessoas enfrentam mais pobreza e menos oportunidades, problemas de violência e de execução da Justiça, bem como os efeitos da mudança climática.

O fenômeno migratório é particularmente intenso e complexo no México e nos países do Triângulo Norte-Americano: El Salvador, Guatemala e Honduras. Dos quase 30 milhões de migrantes internacionais latino-americanos, quase 15 milhões são desses países, dos quais 11 milhões vêm do México.

A maioria deles vive ou tem como destino os Estados Unidos, tornando esta sub-região um dos principais corredores migratórios do mundo.

Territórios que ‘expulsam’ seus habitantes

O novo estudo da FAO, “Mesoamérica em trânsito”, permitiu a categorização dos principais polos migrantes nesses quatro países, ou seja, aqueles municípios onde pessoas saem com maior intensidade.

O estudo é baseado nos últimos dados dos censos populacionais dos países e contrasta as informações com indicadores municipais de pobreza, violência e vulnerabilidade ambiental. O resultado é um mapeamento detalhado que pode ajudar os países a fortalecer suas estratégias de desenvolvimento rural, a fim de abordar as causas da migração em cada território em tempo hábil.

Em termos gerais, o estudo mostra que em El Salvador e Honduras os municípios “ejetores” tendem a apresentar maior índice de pobreza, apresentar residências com menor qualidade de serviços básicos, ter maior percentual da população sem ensino médio e relatar um maior peso de atividades agrícolas no emprego.

Entre os principais fatores relacionados à migração em El Salvador estão a pobreza nos departamentos de Ahuachapán, Cabañas, San Vicente e Sonsonate; vulnerabilidade ambiental em Chalatenango, Cuscatlán, La Libertad e San Salvador; e os problemas de violência em La Paz, Morazán e San Salvador.

A migração hondurenha está fortemente relacionada à falta de oportunidades, pobreza e violência no noroeste do país e à vulnerabilidade ambiental no centro-sul.

Embora na Guatemala exista uma relação menos forte entre o comportamento migratório de acordo com as características territoriais, a taxa de expulsão aumenta nos municípios onde a porcentagem da população sem ensino médio é maior.

Por outro lado, no México, os municípios que apresentam níveis mais elevados de pobreza manifestam uma forte presença de emprego agrícola.

A migração neste país está relacionada à pobreza no sul e à violência no oeste, noroeste e nordeste; enquanto os problemas de vulnerabilidade ambiental parecem ser transversais.

Entender os territórios para oferecer mais oportunidades

As novas descobertas sugerem que uma política destinada a mitigar a magnitude da migração deve considerar como as características territoriais influenciam a decisão de migrar.

Os estudos também levantam a necessidade de entender melhor o impacto da migração nos lugares de origem, bem como o papel das remessas e dos migrantes que decidem retornar às suas comunidades.

“Por este motivo, a FAO coloca à disposição dos governos de México, Guatemala, Honduras e El Salvador toda a sua capacidade técnica para ajudar a construir melhores oportunidades de desenvolvimento em territórios rurais”, disse Luiz Carlos Beduschi.

Atualmente, a FAO e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), juntamente com outros parceiros estratégicos, promovem uma aliança para abordar as causas da migração rural na Mesoamérica. Sua principal contribuição será um conjunto de propostas políticas adaptadas à realidade desta região, que é tão dinâmica em termos de migração.

Isto é particularmente relevante agora que os países da América Latina e do Caribe estão definindo sua posição no Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular.


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