FAO: Energia geotérmica pode ajudar países em desenvolvimento a aumentar segurança alimentar

Energia geotérmica convertida em eletricidade e usada para aquecer esta estufa na Nova Zelândia, onde crescem tomates e pimentas. Foto: ONU/Evan Schneider

A energia do calor gerada pelo centro da terra pode ser usada para alcançar um custo eficiente e incentivar a produção e processamento sustentável de alimentos em países em desenvolvimento, de acordo com novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), lançado nesta terça-feira (7).

“É uma fonte de energia renovável, limpa e de baixo custo, uma vez que você faz o investimento inicial para aproveitá-la”, disse o economista de agronegócio da FAO, Carlos da Silva. “Através de uma fonte de energia limpa, você não está apenas abordando o custo, mas também os impactos ambientais da produção e processamento de alimentos.”

Segundo o relatório “Usos da Energia Geotérmica em Alimentos e Agricultura”, a energia do calor pode ser usada para processamento, aumentando a segurança alimentar e a secagem de alimentos. A pasteurização do leite e esterilização de produtos podem ser particularmente viáveis para países em desenvolvimento, prolongando a validade de alimentos nutritivos como peixe e vegetais o ano todo, incluindo em períodos de seca. Além de poder se a fonte principal de calor para estufas, solos e fazendas de peixe.

Países no Círculo do Fogo ao longo da Placa do Pacífico, como México e Indonésia, e várias nações na costa oeste da América do Sul são locais onde a energia geotérmica é especialmente realizável, assim como Etiópia e Quênia, na África, e Romênia e Macedônia, no Leste Europeu.

No mundo, 38 países já utilizam a energia geotérmica em aplicação direta na agricultura e 24 aproveitam para gerar eletricidade, como na Islândia, Costa Rica, El Salvador, Quênia, Nova Zelândia e Filipinas, onde mais de 10% de suas necessidade elétricas derivam de fontes naturais de calor.