FAO e vencedor do Nobel da Paz discutem elos entre violência e fome

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, e o vencedor do Nobel da Paz de 2006, Muhammad Yunus, lembraram na terça-feira (2) em Roma, Itália, o Dia Internacional da Não Violência das Nações Unidas.

Muhammad Yunus, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2006, é o pai do microcrédito e dos negócios sociais. É o fundador do Grameen Bank e de outras 50 empresas em Bangladesh, a maior parte delas como negócios sociais.

“Toda vez que a violência cresce, a democracia e a liberdade diminuem. Esse é um momento muito importante para o povo brasileiro”, enfatizou o diretor-geral da FAO, pedindo que a população vote pela não violência.

Muhammad Yunus, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2006, é o pai do microcrédito e dos negócios sociais. É o fundador do Grameen Bank e de outras 50 empresas em Bangladesh, a maior parte delas como negócios sociais. Foto: Flickr/Muhammad Yunus (CC)

Muhammad Yunus, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2006, é o pai do microcrédito e dos negócios sociais. É o fundador do Grameen Bank e de outras 50 empresas em Bangladesh, a maior parte delas como negócios sociais. Foto: Flickr/Muhammad Yunus (CC)

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, e o vencedor do Nobel da Paz de 2006, Muhammad Yunus, lembraram na terça-feira (2) em Roma, Itália, o Dia Internacional da Não Violência das Nações Unidas.

Muhammad Yunus, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2006, é o pai do microcrédito e dos negócios sociais. É o fundador do Grameen Bank e de outras 50 empresas em Bangladesh, a maior parte delas como negócios sociais.

“Esse é um tema muito importante para a FAO, que homenageia o nascimento do grande líder indiano Mahatma Gandhi, um pregador da não violência. Para ele, a paz era a maior força à disposição da humanidade”, lembrou Graziano, reforçando que tolerância, pluralidade de opiniões, de religião, diversidade em termos de gênero, raça e cor são fundamentais na democracia.

“Toda vez que a violência cresce, a democracia e a liberdade diminuem. Esse é um momento muito importante para o povo brasileiro”, enfatizou o diretor-geral da FAO, torcendo para que o povo vote pela não violência.

“A violência e o conflito são a principal causa da fome no mundo atual. Reverter esse quadro requer a geração de renda e oportunidades para as pessoas, particularmente para mulheres e jovens nas áreas rurais”, disse Graziano. “Precisamos de paz para ter segurança alimentar”, acrescentou, ressaltando o fato de que o número de pessoas cronicamente subnutridas vem aumentando nos últimos três anos.

Por sua vez, Yunus destacou que a violência está criando pobreza, migração e fome. “Nossa maneira de olhar para isso é trazer oportunidades para as pessoas e ajudá-las a se manter”.

Ele também observou que o microcrédito ajuda as pessoas, especialmente as mulheres, a gerar renda própria, envolvendo-se em empresas e empreendimentos” e que um empoderamento sustentável não as deixa dependente da caridade — incentiva a energia e a criatividade, particularmente dos jovens.

As declarações foram feitas durante a reunião que acontecia concomitantemente à reunião da Comissão de Agricultura da FAO (COAG), em Roma.

Graziano também expressou preocupação sobre como os impactos de conflitos e mudanças climáticas, como as secas extremas, afetam negociantes rurais, especialmente mulheres e jovens na África.

A FAO, em colaboração com o Centro de Negócios Sociais Yunus, está tentando oferecer oportunidades para as pessoas gerarem sua própria renda através da capacitação, treinamento e microcrédito em países como a República Centro-Africana que foram devastados pela guerra civil e estão tentando reconstruir suas economias.

Durante o encontro, Graziano e Yunus também destacaram a importância de intensificar a colaboração entre a agência da ONU e a Aliança FAO-Nobel da Paz para Segurança Alimentar e Paz, com o objetivo de redobrar esforços na promoção de uma melhor conscientização sobre o crescente vínculo entre conflito e fome.

Yunus disse que o apoio ao empreendedorismo rural deve estar no centro das soluções para a fome e a instabilidade.

Projeto da FAO-Nobel e a Aliança dos Laureados pelo Nobel da Paz

A Aliança dos Laureados pelo Nobel da Paz da FAO lançou seu primeiro projeto na República Centro-Africana, cujo objetivo é aumentar a capacidade de deslocar internamente pessoas, ex-combatentes, mulheres e jovens para alavancar seus meios de subsistência e retornar a uma vida pacífica.

Tal meta está sendo alcançada ao fornecer aos beneficiários uma melhor compreensão de como os mercados funcionam, facilitando seu acesso a sistemas de produção melhorados e tornando suas fazendas mais resilientes ao clima.

A Aliança dos Laureados pelo Nobel da Paz foi estabelecida pela FAO em 2016 com o objetivo de ampliar as discussões sobre como a paz é uma pré-condição para alcançar a segurança alimentar mundial e como melhorar a segurança alimentar pode contribuir para a paz.

Outros membros da Aliança incluem Oscar Arias Sánchez, Tawakkol Karman, Betty Williams, Juan Manuel Santos, Mairead Maguire, José Ramos Horta, Fredrik Willem de Klerk e Adolfo Pérez Esquivel.

Paralelamente à Assembleia Geral das Nações Unidas na semana passada, a FAO concedeu a Graça Machel a condição de membro honorário da Aliança dos Leos Nobel da Paz para Segurança Alimentar e Paz, em reconhecimento à incansável luta de Nelson Mandela pela liberdade e pela paz.


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