FAO e México liberam US$500 mil para projetos sobre mudanças climáticas no Caribe

Verba permitirá a 14 países caribenhos elaborar projetos de adaptação às mudanças climáticas e levá-los a mecanismos internacionais de financiamento. Objetivo da parceria entre a FAO e o governo mexicano é garantir resiliência para comunidades rurais pobres e vulneráveis a fenômenos naturais extremos.

Destruição causada pelo furacão Maria na ilha de Dominica. Foto: Ben Parker/IRIN

Destruição causada pelo furacão Maria na ilha de Dominica. Foto: IRIN/Ben Parker

O México e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) oficializaram na quinta-feira (14) a criação de um fundo inédito de 500 mil dólares para projetos de países do Caribe sobre mudanças climáticas. Com o mecanismo de financiamento, 14 nações terão acesso a verba para tornar seus sistemas alimentares e comunidades rurais mais resilientes.

A expressão “construir resiliência às mudanças climáticas” pode parecer técnica ou abstrata demais, mas significa estratégias bem concretas, como melhorar a qualidade da infraestrutura, corrigir e reforçar canais fluviais ou criar redes subterrâneas de cabos para as instalações elétricas.

De acordo com o chefe da FAO, José Graziano da Silva, o grupo de 14 Estados caribenhos vai elaborar 27 programas. O capital do fundo será usado como pré-investimento, para aperfeiçoar e levar as iniciativas a outros patrocinadores. Dez das quase 30 iniciativas serão apresentadas ao Fundo Verde para o Clima, doze ao Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e cinco para vários mecanismos da União Europeia.

“Todos sabemos que o Caribe é uma das regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas. Vimos isso na última temporada de furacões, onde a ilha de Dominica e Barbuda foram praticamente destruídas”, afirmou o secretário de Relações Exteriores do México, Luis Videgaray, durante a cerimônia de assinatura do acordo com a FAO, em Roma.

O foco dos projetos financiados serão comunidades agrícolas em situação de pobreza e vulnerabilidade climática. O novo fundo receberá contribuições iguais, de 250 mil dólares, da FAO e da Agência Mexicana de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AMEXCID).

Os países que desenvolverão os projetos são Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Dominica, Granada, Guiana, Haiti, Jamaica, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, Santa Lúcia, Suriname e Trinidad e Tobago. Todas as nações fazem parte da Comunidade de Estados do Caribe (CARICOM).

Mais do que recursos financeiros

O fundo entre o México e a FAO também prevê o envio de especialistas do país norte-americano e da agência para ajudar técnicos caribenhos na concepção dos projetos. O objetivo da cooperação é ampliar as capacidades institucionais e de planejamento.

A parceria quer garantir que as nações beneficiárias consigam aprimorar os processos de tomada de decisão e o gerenciamento dos seus programas, para enfrentar da melhor forma os desastres naturais e os fenômenos climáticos extremos. “O fundo é uma combinação de recursos financeiros e recursos humanos”, acrescentou Videgaray.

Investimento e resiliência

A FAO lembra que os investimentos na resiliência e adaptação às mudanças climáticas podem ser bem caros. Nem sempre os países do Caribe têm o capital necessário para implementar suas estratégias de preparação.

“É aí que entram os fundos internacionais que esta iniciativa do México e da FAO permitirá conseguir. Os recursos estão lá, mas muitas vezes os países caribenhos não podem acessá-los porque seus projetos não estão devidamente preparados tecnicamente”, explicou o secretário mexicano.

Videgaray disse ainda que o fundo com a FAO é um acordo aberto a outros países. “Já temos a boa notícia de que o governo do Canadá vai se unir aportando recursos. E é importante que isso aconteça porque o desafio é enorme. Temos de reconhecer que o Caribe não está gerando as mudanças climáticas, mas que é uma das regiões mais afetadas, então todos nós temos a responsabilidade de contribuir”, concluiu.