FAO defende que combate à fome rural na América Latina considere modernização e proteção social

Desenvolvimento rural não pode mais ser confundido com agrícola, pois a pobreza rural da região perdura por causa de agricultura familiar, trabalho assalariado, remessas de emigrantes e transferências públicas.

(FAO)A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) observou nesta segunda-feira (26) que as políticas públicas que visam a melhorar os rendimentos das famílias rurais pobres na América Latina devem considerar novas estratégias de sobrevivência destes grupos e as mudanças que ocorreram nesse ambiente. A análise foi apresentada no 7º Seminário Internacional sobre Segurança Alimentar, Pobreza Rural e Proteção Social na América Latina e no Caribe, organizado pelo Projeto FAO de Apoio à Iniciativa América Latina e Caribe sem Fome e pela Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL). A reunião teve a participação de representantes de governos, diretores de programas e especialistas internacionais.

Para a FAO, o principal desafio para a erradicação da fome na região é fortalecer o acesso aos alimentos por meio de mecanismos adequados de proteção social e inclusão econômica em áreas rurais. Nos últimos anos, a modernização da agricultura e as transformações rurais diversificaram as fontes de renda das famílias pobres, resultando em várias combinações.

Segundo a agência, isso significa que o desenvolvimento rural não pode mais ser confundido com o desenvolvimento agrícola,  já que a pobreza rural da região perdura não apenas por causa da agricultura familiar, mas também por causa do trabalho assalariado, principalmente temporário, dentro e fora da agricultura; e por causa de remessas dos familiares emigrantes e das transferências públicas.

Esta realidade exige uma visão ampla das políticas públicas que visem à erradicação da pobreza e da fome, especialmente nos sistemas de proteção social, que geralmente não conseguem incorporar segmentos importantes da população rural.