FAO defende mais investimento em inovação para a agricultura familiar

O diretor-geral José Graziano da Silva disse ser essencial investir e criar novos produtos e tecnologias para apoiar os pequenos agricultores, de forma a melhorar sua resiliência e capacitá-los a produzir de modo sustentável.

Formas inovadoras de produzir alimentos são importantes para a comunidade internacional atingir as metas da Agenda 2030. Foto: ONU.

Formas inovadoras de produzir alimentos são importantes para a comunidade internacional atingir as metas da Agenda 2030. Foto: ONU.

O chefe da agência de agricultura das Nações Unidas pediu na terça-feira (22)  um maior uso da agroecologia, biotecnologia e outras ferramentas inovadoras para erradicar a fome, combater a desnutrição e atingir uma agricultura sustentável.

Em discurso durante o Fórum para o Futuro da Agricultura em Bruxelas, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, enfatizou a necessidade de colaboração para além das técnicas tradicionais, especialmente para auxiliar a agricultura familiar.

“É essencial investir e criar novos produtos, tecnologias, processos e modelos de negócios mais amigáveis para apoiá-los, melhorar sua resiliência e capacitá-los a produzir mais de forma sustentável”, disse o diretor-geral.

As inovações também são importantes para a comunidade internacional atingir as metas da Agenda 2030, que pretende eliminar a fome e a pobreza, entre os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Para fazê-lo, os países precisam adotar modos de governança para além de ministérios setoriais específicos, como agricultura, saúde e educação, “para encontrar soluções inovadoras para problemas de desenvolvimento complexos”, disse o brasileiro Graziano da Silva.

Por exemplo, aproximadamente 80% dos extremamente pobres vivem em áreas rurais, a maioria faz parte de comunidades rurais que não cultivam alimentos suficientes para escapar da fome e da pobreza, de acordo com dados da ONU.

Ao mesmo tempo, agricultores familiares produzem a maior proporção de alimentos consumida no mundo.

O diretor-geral da FAO também citou o impacto das mudanças climáticas na vida das pessoas, endossando que a população mais pobre das comunidades rurais é frequentemente mais exposta a esses elementos e menos equipada para lidar com o problema.

O oficial da ONU também falou sobre a necessidade de fortalecer a cadeia do setor alimentício “da fazenda à mesa do consumidor”, enfatizando a importância de incentivar consumidores a tomar melhores decisões de alimentação por meio de informações dispostas nas embalagens e publicidade precisa.