FAO anuncia política de assistência alimentar para situações de guerra

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) anunciou neste mês (8) que vai reestruturar suas operações em guerras, tendo em vista a importância dos sistemas alimentares para a prevenção, resolução e recuperação de situações de conflito. Organismo internacional alerta que a fome voltou a aumentar em todo o mundo por causa da eclosão de novos confrontos armados.

FAO deu assistência a mais de 1,4 milhão de produtores agropecuários na Síria. Foto: FAO/Tahseen Ayyash

FAO deu assistência a mais de 1,4 milhão de produtores agropecuários na Síria. Foto: FAO/Tahseen Ayyash

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) anunciou neste mês (8) que vai reestruturar suas operações em guerras, tendo em vista a importância dos sistemas alimentares para a prevenção, resolução e recuperação de situações de conflito. Organismo internacional alerta que a fome voltou a aumentar em todo o mundo por causa da eclosão de novos confrontos armados.

Segundo a agência da ONU, a guerra na Síria levou a uma queda de 40% na produção de trigo. Em Serra Leoa, o conflito civil dos anos 1990 provocou uma retração de 70% na criação de rebanhos bovinos. Também no país africano, a produção de óleo de palma e arroz teve diminuição de mais de 25%. No Burundi, pesquisas mostraram que a exposição de um indivíduo à violência tornou-o quase 20% menos propenso a retomar o cultivo de café, mesmo quatro anos após o fim dos confrontos locais.

Os números são exemplos de como os conflitos armados fragilizam a produção agrícola, o que agrava a fome e a miséria da população. De acordo com a FAO, em todo o mundo, cerca de 75% das crianças com atraso no desenvolvimento vivem em países afetados por conflitos.

As guerras são uma das causas por trás do aumento inédito da fome em 2016, quando a FAO identificou que 815 milhões de pessoas enfrentavam dificuldades para se alimentar. O número representou um crescimento de mais de 38 milhões de indivíduos na comparação com 2015 e uma guinada para trás, pois por mais de uma década, o contingente de homens e mulheres passando fome vinha diminuindo.

Para melhorar sua atuação nesses contextos, o organismo internacional estabeleceu uma nova “estrutura corporativa”. A estratégia inclui ações para minimizar, evitar e resolver conflitos em que os recursos alimentares, agropecuários e naturais podem ser condutores da violência. O programa também coloca a ênfase na proteção da infraestrutura e ativos produtivos.

Mantendo as fazendas fora da luta

A FAO já ajuda as comunidades rurais a lidar com conflitos, promovendo abordagens participativas para fortalecer a posse da terra na sequência de guerras civis. Esse modelo de assistência foi utilizado em países como Angola, Costa do Marfim, Moçambique e, agora, na Colômbia. Projetos agrícolas ajudam também a reintegrar ex-combatentes, como parte dos acordos de desarmamento, desmobilização e reintegração. É o caso da República Democrática do Congo, Uganda e Filipinas.

Em regiões em confronto e crise humanitária, a FAO fortalece sistemas de laticínios, fornece sementes e insumos agrícolas, planeja esquemas de proteção social e apoia negociações para garantir que a vacinação de animais de criação não seja interrompida. Entre os países que recebem esse tipo de assistência, estão o Afeganistão, Mianmar, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Síria, Ucrânia e Iêmen.


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