FAO alerta sobre os riscos de comer animais selvagens transmissores de ebola na África Ocidental

Segundo a agência da ONU, os morcegos frugívoros, alimento popular na região, é um dos mais prováveis transmissores do vírus ebola, podendo transportá-lo sem desenvolver sinais clínicos.

Departamento de doenças infecciosas em Conakry, no Guiné. Foto: OMS/T. Jasarevic

Departamento de doenças infecciosas em Conakry, no Guiné. Foto: OMS/T. Jasarevic

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), nesta segunda-feira (21), alertou sobre os riscos de contrair o vírus ebola ao comer certas espécies de animais selvagens, inclusive os morcegos frugívoros, que geralmente são comidos secos ou em sopa picante. De acordo com a FAO, essa espécie de morcego é um dos mais prováveis reservatórios do vírus, podendo transportá-lo sem desenvolver sinais clínicos.

“Não estamos sugerindo que as pessoas parem de caçar, mas as comunidades precisam de conselhos claros sobre a necessidade de não tocar, vender ou comer a carne de qualquer animal encontrado morto. Eles também devem evitar a caça de animais que estão doentes ou que se comportem estranhamente, já que esta é outra bandeira vermelha”, disse o veterinário-chefe da FAO, Juan Lubroth, em um comunicado de imprensa.

“Há muita desconfiança e as pessoas estão escondendo pacientes ao invés de buscar ajuda médica, e fica muito difícil controlar a doença no meio de muitos mitos e rumores”, disse a veterinária de saúde pública da FAO, Katinka de Balogh.

Enquanto vários governos têm tentado proibir a venda e consumo de carne de animais silvestres, essas proibições se revelaram impossíveis de serem aplicadas, dado que geralmente são recebidas com suspeita pelas comunidades rurais. Há também preocupações crescentes sobre o efeito que o surto possa ter sobre a segurança alimentar, já que os agricultores têm cada vez mais medo de trabalhar em seus campos, enquanto alguns mercados de alimentos fecharam.

A FAO está trabalhando com os governos para estabelecer sistemas de vigilância dos animais selvagens e com as estações de rádio rurais para melhorar a informação sobre o vírus nas comunidades. A agência também estabeleceu uma parceria com os escritórios da OMS em Guiné, Libéria e Serra Leoa para passar as informações necessárias e ajudar a encontrar opções de produção animal mais saudáveis ​​e sustentáveis​.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o surto provocado pelo vírus ebola já matou mais de 600 pessoas e a doença é letal em até 90% dos casos. Atualmente não existe vacina contra o ebola.