FAO: 39 países enfrentam crise alimentar em razão de conflitos e mudanças climáticas

Mudanças climáticas drásticas e conflitos prolongados ameaçam a produção e o acesso a alimentos em pelo menos 39 países, que precisam da ajuda das Nações Unidas para suprir suas necessidades alimentares, mostra relatório divulgado pela Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Homem caminhando por plantação de arroz inundada nas Filipinas. Banco Mundial/Nonie Reyes

Homem caminhando por plantação de arroz inundada nas Filipinas. Banco Mundial/Nonie Reyes

Atualmente, 39 países – 31 dos quais localizados na África, 7 na Ásia, e 1 no Caribe – precisam da ajuda das Nações Unidas para garantir que suas populações tenham o que comer.

É o que mostra a nova edição do relatório “Perspectivas de colheitas e situação alimentar”, divulgado nesta quinta-feira (20) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A FAO destaca que conflitos civis prolongados e o deslocamento populacional continuam contribuindo para o aumento da insegurança alimentar na África Oriental e no Sudoeste Asiático, enquanto eventos climáticos extremos têm dificultado o acesso de alimentos a populações vulneráveis em outras regiões.

Na África Austral – a parte sul do continente –, as condições de clima seco reduziram a produção de cereais.

No Iêmen, devido ao conflito atual, cerca de 17 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

Na República Centro-Africana, estima-se que 2 milhões de pessoas também precisem de ajuda externa tanto pela redução da produção agrícola quanto pelo mau funcionamento dos mercados.

Cereais continuam sendo chave

Segundo a FAO, por serem extremamente adaptáveis, especialmente em regiões que dependem principalmente de fontes vegetais de proteínas e calorias, a importância global do cereal para a dieta humana “não pode ser superestimada”.

Apesar disso, condições climáticas adversas têm afetado negativamente esse cenário. Na África do Sul, por exemplo, mudanças climáticas drásticas afetaram negativamente a produção de cereais, aumentando a insegurança alimentar na região.

Paralelamente, chuvas abundantes na África Oriental impulsionaram a produção, mas resultaram em inundações localizadas.

Na Comunidade dos Estados Independentes do Sudoeste Asiático e da Ásia Central, os deficit de precipitação provocaram previsões de que as colheitas de cereais de 2018 estarão em “níveis abaixo da média”; enquanto isso, os conflitos civis atuais em partes do Sudoeste Asiático continuam impedindo atividades agrícolas.

Já no norte do continente, o clima favorável da primavera provocou uma recuperação na produção. E no Ocidente, as colheitas devem voltar a níveis médios.

A Ásia Oriental também pode ter uma ligeira melhora, segundo as estimativas, impulsionada por uma maior produção de arroz.

Ao mesmo tempo, as condições climáticas afetaram a produção de cereais na América Latina e no Caribe.

“O clima seco na América do Sul diminuiu a produção de cereais de 2018 em relação ao recorde do ano passado”, afirmou o relatório, destacando o milho. Na América Central e no Caribe, diz: “as chuvas desfavoráveis afetaram a produção de milho em 2018, exceto no México”.

A produção de cereais nos 52 países de baixa renda com deficit de alimentos está projetada este ano em cerca de 490 milhões de toneladas, cerca de 19 milhões acima da média dos últimos cinco anos.


Comente

comentários