Famílias no leste da Ucrânia se arriscam para cruzar zonas de conflito e receber auxílio do governo

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Rodeados de campos minados, os pontos de verificação no leste da Ucrânia são o único caminho para atravessar de um lado para o outro das zonas de conflito. Desde abril de 2014, a porção oriental do país virou palco de confrontos separatistas entre grupos armados e o governo nacional. Para muitos habitantes das regiões afetadas, os deslocamentos por rotas cercadas de explosivos transformaram-se numa perigosa rotina.

Katya*, de 4 anos, e sua mãe, regularmente atravessam o posto de verificação na vila de Marinka. Foto: ACNUR/Tania Bulakh

Katya*, de 4 anos, e sua mãe, regularmente atravessam o posto de verificação na vila de Marinka. Foto: ACNUR/Tania Bulakh

Rodeados de campos minados, os pontos de verificação no leste da Ucrânia são o único caminho para atravessar de um lado para o outro das zonas de conflito. Desde abril de 2014, a porção oriental do país virou palco de confrontos separatistas entre grupos armados e o governo nacional. Para muitos habitantes das regiões afetadas, os deslocamentos por rotas cercadas de explosivos transformaram-se numa perigosa rotina.

Para chegar ao posto de vistoria, Valentina e seu marido Gennadiy têm que caminhar cerca de 600 metros a pé do ponto de ônibus e esperar na fila com os documentos necessários, antes de pegar dois ônibus para chegar a outra estação de verificação, do outro lado. Um percurso como este pode ser difícil para qualquer um, mas para pessoas idosas, com mobilidade limitada, é angustiante.

“Isso não é humano”, diz Valentina, enxugando suas lágrimas.

As autoridades ucranianas registraram mais de 6 milhões de travessias pelas linhas de conflito desde o início de 2017. Uma das razões por trás da grande circulação de pessoas são os processos de verificação para o recebimento da proteção social oferecida pelo governo ucraniano.

Para muitos indivíduos vulneráveis, em territórios não controlados pelas autoridades, o auxílio estatal é vital para sua sobrevivência. A única escolha é viajar.

“Não escolhemos viver dessa maneira”, diz Viktoria*, que leva, a cada dois meses, sua filha de quatro anos, Katya*, pelo perímetro que separa áreas sob controle do Estado das dominadas por entidades armadas. A viagem é feita também para que o pai de Viktoria possa passar um tempo com a neta. Enquanto Katya espera o ônibus com sua mãe, o som dos fuzis ecoa em torno do lugar. O combate continua.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está preocupada com as dificuldades associadas à liberdade de locomoção dos civis, particularmente quando cruzam a fronteira do conflito. “Frequentemente, existem longas filas e, consequentemente, atrasos nos pontos de controle”, explicou o porta-voz do ACNUR, Andrej Mahecic, em pronunciamento feito neste mês (11).

“Essas pessoas, que esperam para atravessar a linha de conflito, possuem acesso limitado a serviços e instalações básicos, como água, banheiros, abrigo e assistência médica”, alertou o representante do organismo internacional.

Com o apoio da Direção Geral para a Proteção Civil e Operações de Ajuda Humanitária Europeia, da Comissão Europeia (ECHO), e outros doares internacionais, o ACNUR está providenciando apoio técnico e equipamentos para melhorar as condições nos postos de travessia.

Computadores e mobília foram fornecidos ao Serviço Estadual de Guarda Fronteiriça da Ucrânia, para acelerar o processamento dos documentos. Também há planos para instalar novas barracas aquecidas e tendas para que os pedestres se desloquem pela linha do conflito sem ter a saúde prejudicada.

Com a assinatura do Acordo de Minsk, o conflito no leste da Ucrânia desapareceu das manchetes da imprensa internacional. A diminuição dos embates diretos leva equivocadamente à conclusão de que os confrontos acabaram. Explosões e bombardeios continuam, expondo as pessoas a situações de risco de vida. Com muitas famílias divididas por estarem perto da linha do conflito, a esperança de que a conjuntura melhore é baixa.

“Não merecemos isso depois de todos os anos que contribuíamos ao trabalhar para este país”, diz Valentina.

*Os nomes foram alterados por motivos de proteção


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