Famílias iemenitas vivem na rua devido à guerra; agência da ONU envia ajuda

Forçada a deixar sua casa devido aos conflitos, Maryam, uma iemenita de 80 anos, vive atualmente na rua com outros dez familiares na cidade portuária de Moca, na costa do Mar Vermelho.

“Saímos de nossas casas há mais ou menos dois meses quando começaram os conflitos, e estamos nos movendo desde então”, contou ela à equipe da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). “É muito difícil acomodar-se em qualquer lugar por causa do conflito. Agora não temos comida e vivemos na rua”.

Pessoas deslocadas por conta das hostilidades recentes em Moca, na região de Taizz, localizada na parte oeste do Iêmen, recebem assistência emergencial do ACNUR. Foto: ACNUR/Adem Shaqiri

Pessoas deslocadas por conta das hostilidades recentes em Moca, na região de Taizz, localizada na parte oeste do Iêmen, recebem assistência emergencial do ACNUR. Foto: ACNUR/Adem Shaqiri

Forçada a deixar sua casa devido aos conflitos, Maryam, uma iemenita de 80 anos, vive atualmente na rua com outros dez familiares na cidade portuária de Moca, na costa do Mar Vermelho.

“Saímos de nossas casas há mais ou menos dois meses quando começaram os conflitos, e estamos nos movendo desde então”, contou ela à equipe da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). “É muito difícil acomodar-se em qualquer lugar por causa do conflito. Agora não temos comida e vivemos na rua”.

Em Moca, onde está em curso uma guerra que já leva dois anos e que ficou mais intensa desde janeiro, assim como Maryam, milhares de iemenitas estão desabrigados e lutando para sobreviver sem acesso adequado à água, saneamento básico ou abrigo.

Na semana passada, o ACNUR conseguiu entregar itens essenciais depois de semanas de intensas negociações para acessar a província de Taizz. Cerca de 3,4 mil pessoas afetadas em Moca receberam colchões, cobertores, objetos de cozinha e produtos para higiene.

A equipe relatou que um grande número de desabrigados estava vivendo em situações desesperadoras, sem saneamento básico e tendo que dividir recursos com comunidades de acolhimento, explicou o porta-voz do ACNUR, Matthew Saltmarsh, em coletiva de imprensa na semana passada (24), em Genebra.

“Famílias estão vivendo nas ruas, usando as árvores como abrigo. Muitas disseram que foi a primeira vez que receberam assistência humanitária além de comida”, disse Saltmarsh.

Dois anos após o início do conflito, há 2 milhões deslocados internos no país, além de 1 milhão de pessoas que voltaram para casa, mas que continuam precisando de assistência humanitária. É preocupante que 84% daqueles que foram forçados a sair de casa estejam deslocados há mais de um ano.

A província ocidental de Taizz tem sido o centro dos conflitos nos últimos dois meses, totalizando cerca de 48 mil pessoas deslocadas da região nos últimos seis meses. Além de Moca, o ACNUR tem negociado acesso a outros seis distritos dentro de Taizz, e vai trazer assistência emergencial a mais de 42 mil pessoas nas próximas semanas em Dhubab, Al Wazi’iyah, Mawza, Al Ma’afer, Maqbanah e Mawiyah.

Apesar de novas e prolongadas ondas de deslocamento no Iêmen, agências humanitárias, incluindo o ACNUR, continuam fortemente subfinanciadas. O apelo financeiro do ACNUR para responder as necessidades humanitárias urgentes recebe somente 10% do financiamento.

Tamer, um menino de seis anos deslocado de Moca com sua família para uma vila próxima, resumiu a situação sombria que enfrentam várias pessoas no Iêmen: “saímos de nossa casa há 10 dias por causa dos conflitos. Agora vivemos debaixo de uma árvore na vila”.