Famílias fogem da violência em El Salvador e buscam proteção na Guatemala

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Ameaçados e assediados por perigosas gangues de rua em El Salvador, Juan Pablo e Cecilia* foram obrigados a se mudar de casa diversas vezes. A perspectiva de que seus filhos Juan, de 5 anos, e Alma, de 1, tivessem a educação interrompida os levou a abandonar o país e a se estabelecer na Guatemala.

Para proteger os recém-chegados, Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e organizações da sociedade civil criaram uma rede de espaços seguros para os solicitantes de refúgio, caso eles escolham permanecer na Guatemala ou seguir para outro país.

Crianças refugiadas e migrantes brincam em abrigo administrado pelo ACNUR na Guatemala. Foto: ACNUR/ Santiago Escobar-Jaramillo

Crianças refugiadas e migrantes brincam em abrigo administrado pelo ACNUR na Guatemala. Foto: ACNUR/ Santiago Escobar-Jaramillo

Ameaçados e assediados por perigosas gangues de rua em El Salvador, Juan Pablo e Cecilia* foram obrigados a se mudar de casa diversas vezes. A perspectiva de que seus filhos Juan, de 5 anos, e Alma, de 1, tivessem a educação interrompida os levou a abandonar o país e a se estabelecer na Guatemala.

“Nossos filhos têm que estudar, e você não pode fazer isso quando está sempre se mudando de um lugar para outro”, diz Juan Pablo.

Ele e sua família estão entre dezenas de milhares de pessoas que fogem dos “maras”, como são chamadas as gangues de rua em El Salvador e Honduras. O destino da família foi improvável: a Guatemala.

As atividades criminosas dos poderosos “maras” incluem extorsão, tráfico de drogas, tráfico humano, prostituição e roubo. Enquanto seu alcance inclui a Guatemala, os solicitantes de refúgio dizem que esta é uma opção mais segura para eles neste momento.

“Ouvimos dizer que apenas certas partes da Guatemala seriam violentas, que ficou muito mais calmo aqui”, diz Juan Pablo, que fugiu para a Cidade da Guatemala com sua família em maio. “Já em El Salvador, todos os cantos são perigosos”.

Para proteger melhor os recém-chegados, Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e organizações da sociedade civil criaram uma rede de espaços seguros para os solicitantes de refúgio, caso eles escolham permanecer na Guatemala ou seguir para outro país.

Há dados que indicam que a maioria opta por ficar. De 2014 a 2016, o número de solicitações de refúgio na Guatemala aumentou 202%.

“Eles permitiram que meu filho frequentasse a escola sem custo”, diz Cecilia. “E minha filha pode ficar na creche. Os guatemaltecos nos trataram bem e nos apoiaram”, declarou.

A família solicitou refúgio e recebeu vistos temporários para permanecer no país enquanto o caso é avaliado. Desde 2014, 178 pessoas foram reconhecidas como refugiadas, e as taxas de reconhecimento são altas para os cidadãos de El Salvador (97%) e Honduras (83%).

A proteção não se limita às famílias. Pessoas identificadas como lésbicas, gays, bissexuais, trans ou intersex, que coletivamente são conhecidos como LGBTI, são reconhecidas como refugiados na Guatemala. Esse reconhecimento foi especialmente vital para Leti, que cresceu em El Salvador e viveu sua transição para mulher como uma experiência brutal naquele país.

“Quando eu contei sobre a minha sexualidade para a minha família, minha casa tornou-se um lugar hostil para mim”, lembra. Ela fugiu do abuso e da violência em El Salvador há mais de uma década, após testemunhar o assassinato de outra amiga LGBTI.

Embora a vida na Guatemala não tenha sido fácil, ela e outros amigos LGBTI em El Salvador prosperaram desde que receberam a oportunidade de buscar refúgio.

“Eu fiz amigos e encontrei novos espaços para ser voluntária e ativista”, diz Leti. “Aqui eu me sinto em casa. As pessoas não são meus parentes de sangue, mas sinto como se fossem minhas irmãs”.

O alto-comissário da ONU para refugiados, Filippo Grandi, fez sua primeira viagem a trabalho à Guatemala, onde se reuniu com o presidente Jimmy Morales, refugiados e parceiros do ACNUR.

Grandi afirmou que as medidas de proteção são necessárias, uma vez que a Guatemala se torna cada vez mais um “país de refúgio”, e não apenas uma parada para refugiados e migrantes cujo destino final é Estados Unidos e México.

“Há muitas pessoas que acabam solicitando refúgio neste país, particularmente pessoas de El Salvador e Honduras”, disse Grandi. Ele enfatizou que era necessária uma ação internacional concertada para enfrentar a insegurança que conduzia o deslocamento na região.

“O principal desafio é abordar as causas estruturais da violência, que faz com que tantas pessoas fujam. E esta busca de soluções só pode ser realizada em uma base regional. Isso deve acontecer com o apoio da comunidade internacional”, afirmou.

Grandi visitou a Guatemala no início de uma viagem de dez dias a cinco países da região. Em Honduras e El Salvador, ele se encontrou com comunidades afetadas pela violência e insegurança, bem como líderes governamentais e parceiros do ACNUR.

Ele também visitou o México, onde se encontrou com refugiados e solicitantes de refúgio, principalmente da América Central, que encontraram segurança no país no qual esforços incipientes para desenvolver soluções duráveis, principalmente relativas à integração local, são fundamentais. A viagem terminou na Costa Rica.

*Todos os nomes de refugiados foram alterados por razões de proteção.


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