Falta de verbas pode deixar 1,3 milhão de crianças africanas sem merenda escolar

O alerta é do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA), que detalhou que a falta de financiamento pode prejudicar a entrega de comida durante a volta às aulas no Mali, Camarões, Mauritânia e Níger; projeto da agência foi reduzido em 90% nos últimos anos por falta de verba.

Foto: Programa Mundial de Alimentos da ONU

Foto: Programa Mundial de Alimentos da ONU

Mais de 1,3 milhão de crianças na África Central e Ocidental correm risco de não receber refeições nas escolas. O alerta foi feito nesta terça-feira (30) pelo Programa Mundial de Alimentação das Nações Unidas (PMA).

Sem financiamento necessário, a agência está se vendo obrigada a reduzir seus projetos nas escolas africanas. Segundo o PMA, alguns países mudaram seus mecanismos de financiamento e muitos doadores têm, agora, outras prioridades.

A falta de refeições escolares deve afetar, no próximo mês, alunos nos Camarões, em Mali, na Mauritânia e no Níger. Se o PMA não receber financiamento, outras 700 mil crianças poderão ficar sem merenda em 11 países.

No Chade, a falta de dinheiro levou a agência da ONU a reduzir seus programas de merenda escolar em mais de 90% nos últimos três anos. Desde 2013, o número de crianças beneficiadas caiu de 200 mil para 15 mil.

No Senegal, os fundos serão necessários para entregar refeições a menos de um quinto dos alunos. Na Mauritânia e nos Camarões, a assistência do PMA precisou ser cortada pela metade em janeiro e em maio.

O problema é que a população de muitos países da África Central e Ocidental já enfrenta fome e malnutrição. Com os conflitos armados, as escolas acabam por ser um refúgio para crianças e muitas vezes o único local onde recebem refeições.

O PMA necessita, com urgência, de US$ 48 milhões para continuar a entregar refeições para alunos das duas regiões africanas.

Estudos da agência mostram que, para cada dólar investido em projetos de merenda escolar, existe um retorno econômico entre US$ 3 e US$ 8, uma vez que a produtividade aumenta. Além disso, quando se tornam adultos, esses alunos têm mais chances de melhorar a saúde de seus filhos.

Garantir que nenhuma pessoa passe fome no mundo até 2030 faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, um conjunto de metas estabelecidas pelos Estados-membros da ONU em setembro de 2015. Doadores importantes para os projetos do PMA na África são Canadá, União Europeia, Japão, Luxemburgo, Arábia Saudita e Estados Unidos.