Falta de recursos e inverno rigoroso ameaçam resposta humanitária no leste da Ucrânia, diz ONU

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

A resposta de organizações internacionais recebeu apenas 36% do orçamento solicitado para 2018. Com o financiamento fragilizado, agências poderão cortar auxílios para moradores, que se preparam para o inverno rigoroso do Leste Europeu.

Civis fazem fila em posto de travessia da linha de contato entre territórios inimigos no leste da Ucrânia. Foto: OCHA/O.Gaskevych

Civis fazem fila em posto de travessia da linha de contato entre territórios inimigos no leste da Ucrânia. Foto: OCHA/O.Gaskevych

A chefe humanitária da ONU na Ucrânia, Osnat Lubrani, pediu que a comunidade internacional libere recursos para a assistência ao leste do país. Desde 2014, a região é palco de um conflito que já matou mais de 3 mil civis. Atualmente, ucranianos precisam atravessar uma linha de contato entre territórios inimigos para ver familiares e acessar serviços básicos.

A resposta de organizações internacionais recebeu apenas 36% do orçamento solicitado para 2018. Com o financiamento fragilizado, agências poderão cortar auxílios para moradores, que se preparam para o inverno rigoroso do Leste Europeu. “A falta de fundos significa que as necessidades básicas de milhões de homens, mulheres e crianças continuam a ser negadas”, alertou Lubrani em novembro.

“Chamo os Estados-membros a expressar solidariedade com as pessoas do leste da Ucrânia e a ajudar a mantê-las ao longo do inverno, que traz necessidades surpreendentes nas áreas de saúde mental e trauma psicológico, ação (de desarmamento) de minas, moradia, saúde, meios de subsistência, água, saneamento e higiene”, completou a coordenadora humanitária.

A cada mês, são registradas mais de 1,1 milhão de travessias de civis pela chamada linha de contato, um perímetro de mais de 427 quilômetros. Ao longo do trajeto, inocentes enfrentam risco de violência e de passar por cima de explosivos.

Lubrani cobrou que os dois lados do confronto armado melhorem as condições de trânsito para civis, sobretudo em função das baixas temperaturas. A coordenadora humanitária disse que em postos de verificação, faltam água potável, instalações sanitárias e aquecimento.

A população do leste da Ucrânia convive com violações mensais do cessar-fogo entre as partes do conflito. Bombardeios, minas e disparos de atiradores de elite ainda são uma realidade na região, onde civis são mortos e mutilados por conta dos embates. A infraestrutura civil também tem sido severamente afetada.

“Apenas nesse ano, vimos mais de 73 incidentes que afetaram a infraestrutura crítica de água e, se os bombardeios continuarem durante o inverno, as pessoas terão dificuldades para se manterem aquecidas. A interrupção frequente (do abastecimento) da água aumenta os riscos de surtos de doenças transmissíveis”, explicou Lubrani, lembrando que em algumas residências, os sistemas de aquecimento e de fornecimento de água são interconectados.

“Os civis a infraestrutura crítica civil têm que ser poupados e protegidos em acordo com o direito humanitário internacional”, ressaltou a representante das Nações Unidas. “Eles não são um alvo.”


Comente

comentários