Falta de financiamento força desligamento de 80% dos serviços de saúde no Iraque, diz ONU

No país devastado pela guerra, os cortes nos serviços de saúde vão afetar diretamente mais de um milhão de pessoas, incluindo cerca de 500 mil crianças.

Criança recebe vacina contra polio no Iraque - em agosto de 2014; imunizações poderão ser suspensas devido à falta de financiamento. Foto: UNAMI

Criança recebe vacina contra polio no Iraque – em agosto de 2014; imunizações poderão ser suspensas devido à falta de financiamento. Foto: UNAMI

A coordenadora humanitária das Nações Unidas no Iraque declarou nesta segunda-feira (27) como “devastadores” os inexplicáveis encerramentos de serviços vitais no país para as pessoas em necessidade. O último encerramento afeta os cuidados básicos de saúde e vão impactar diretamente mais de um milhão de pessoas, incluindo cerca de 500 mil crianças que agora não serão imunizados, aumentando o risco de surto de sarampo e retomada da poliomielite.

Os cortes mais recentes vêm logo após os últimos fechamentos “em cascata”, que têm afetado rações de alimentos, abastecimento de água, serviços de saneamento e higiene, assim como programas especializados para um milhão de mulheres e mais de 1,2 milhão de meninas, muitas das quais sobreviventes de brutalidade e violência sexual e baseada em gênero, de acordo com um comunicado de imprensa da coordenadora humanitária da ONU para o Iraque, Lise Grande.

Parceiros humanitários da ONU estão buscando 498 milhões de dólares para cobrir os custos do fornecimento de abrigo, alimentação, água e outros serviços vitais para o restante do ano, mas até a data, apenas 15% deste valor foi assegurado. Grande confirmou que 184 serviços de saúde foram suspensos por causa do “paralisante” déficit de financiamento para as atividades humanitárias no Iraque, o que significa que mais de 80% dos programas de saúde gerais apoiados por parceiros humanitários estão agora fechados, impactando diretamente um milhões de pessoas.

Em um ano, o número de pessoas que necessitam dessa assistência quadruplicou; as taxas de pobreza na região do Curdistão, onde mais de um milhão de pessoas deslocadas têm procurado segurança, dobraram, e estima-se que 8,2 milhões de pessoas dependem de ajuda humanitária urgente – incluindo 2,3 milhões de pessoas que vivem em áreas controladas pelo Estado Islâmico do Iraque e o Levante, de acordo com o escritório de Grande. À medida que o conflito se intensifica, estima-se que ao menos outro milhão de pessoas precisará de ajuda para sobreviver antes do final de 2015.