Falta de financiamento dificulta ajuda humanitária da ONU para sírios afetados pela guerra

Debilitação do atendimento médico e do programa de preparação para o inverno revelam algumas das reduções da assistência ao país.

Crianças sírias abrigadas na entrada de uma casa, em meio a tiros e bombardeios, em uma cidade afetada pelo conflito. Foto: UNICEF/ Alessio Romenzi

Crianças sírias abrigadas na entrada de uma casa, em meio a tiros e bombardeios, em uma cidade afetada pelo conflito. Foto: UNICEF/ Alessio Romenzi

Em pronunciamento nesta quarta-feira (28) ao Conselho de Segurança sobre a situação da Síria, a assistente do secretário-geral para Assuntos Humanitários Kyung-wha Kang destacou a crescente violência nos últimos anos no país e o desafio de manutenção da assistência. “No início do conflito, há quase quatro anos, 1 milhão de pessoas precisavam de ajuda humanitária no interior do país”, disse ela. “Hoje, esse número é de 12,2 milhões.”

De acordo com Kyung-wha, a incompatibilidade entre a demanda e os recursos disponibilizados é uma grande barreira às ações de apoio. No ano anterior, apenas 48% dos recursos solicitados foram liberados. A falta de medicamentos e itens cirúrgicos em algumas áreas do país, além do enfraquecimento do programa de preparação de inverno são alguns dos dados sintomáticos para os quais alertou o discurso de Kyung-wha. “As necessidades continuam a superar a resposta”, alertou.

Desde março de 2011, com a escalada dos protestos sociais, a Síria atravessa um momento de grave tensão. No quinto ano do conflito, áreas povoadas foram atacadas com explosivos por ambos os lados e ainda são recorrentes as execuções, além da subjugação de mulheres e meninas. Mas apesar do ambiente operacional extremamente árduo dentro do país e da falta de recursos, as organizações humanitárias continuam a ajudar com, entre outros, a distribuição de alimentos para mais de 3,6 milhões de pessoas, intervenções de água e saneamento a 1,5 milhões e assistência médica para mais de 680 mil.

Após apresentar os entraves para a atuação humanitária na Síria, Kyung-wha voltou a conclamar a urgência dos esforços para a reversão desse cenário. “O Conselho de Segurança tem de encontrar uma maneira de acabar com o conflito na Síria,” Kiung-wha pediu. “Não devemos permitir que o mundo esqueça a Síria e as atrocidades cometidas contra o seu povo”.