Falta de financiamento coloca em risco ajuda a refugiados sírios, alerta ONU

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A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) atualmente oferece assistência em dinheiro às famílias sírias refugiadas mais vulneráveis ​​— principalmente na Jordânia e no Líbano — para ajudá-las a cobrir os custos com moradia, aquecimento, saúde e outros itens essenciais. No entanto, com a previsão do fim do atual financiamento do ACNUR e de outros programas de assistência financeira da ONU a partir de maio, quase 1 milhão de pessoas correm o risco de perder essa assistência vital.

Refugiados sírios em assentamento informal no Líbano. Foto: ACNUR/I. Prickett

Refugiados sírios em assentamento informal no Líbano. Foto: ACNUR/I. Prickett

Centenas de milhares de famílias refugiadas sírias no Oriente Médio correm o risco de perder sua principal fonte de financiamento a partir de maio, a menos que recursos adicionais necessários sejam arrecadados para cobrir uma lacuna de 270 milhões de dólares — parte de um déficit de financiamento de 4,1 bilhões de dólares de um plano de resposta para os refugiados sírios liderado pela ONU em 2018.

O conflito de sete anos na Síria continua a alimentar a maior crise de refugiados do mundo, com mais de 5,6 milhões de pessoas forçadas a se exilar nos países vizinhos. Todos os anos, as famílias são levadas à miséria, com a maioria dos refugiados na Jordânia e no Líbano vivendo abaixo da linha da pobreza e incapazes de suprir suas necessidades básicas.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) atualmente oferece assistência em dinheiro às famílias mais vulneráveis ​​— principalmente na Jordânia e no Líbano — para ajudá-las a cobrir os custos com moradia, aquecimento, saúde e outros itens essenciais. No entanto, com a previsão do fim do atual financiamento do ACNUR e de outros programas de assistência financeira da ONU a partir de maio, quase 1 milhão de pessoas correm o risco de perder essa assistência vital.

O alerta ocorre paralelamente a uma importante conferência de doadores da União Europeia e da ONU realizada em Bruxelas até esta quarta-feira (25) com o objetivo de assegurar novos compromissos de financiamento para ajudar os sírios e os principais países que acolhem refugiados. As necessidades totais para 2018 estão na casa dos 5,6 bilhões de dólares, mas até o fim de março, apenas 27% do apelo liderado pelas Nações Unidas havia sido arrecadado, deixando um déficit de 4,1 bilhões de dólares.

A assistência em dinheiro é um elemento-chave na resposta do ACNUR à crise. Ao permitir que os refugiados priorizem os gastos em suas necessidades mais urgentes, oferece maior dignidade e liberdade de escolha, ao mesmo tempo em que proporciona um impulso às economias locais em regiões que arcaram com o ônus de abrigar um grande número de refugiados.

O uso de sistemas de biometria de última geração e de segmentação por vulnerabilidade pelo ACNUR garante que a assistência em dinheiro seja entregue com segurança para as pessoas que mais precisam, da maneira mais econômica possível.

No Líbano, onde 58% dos quase 1 milhão de refugiados sírios cadastrados vivem em extrema pobreza, com menos de 2,90 dólares por dia, a assistência em dinheiro ajuda a sustentar cerca de 33 mil das famílias mais pobres.

Manar, de 29 anos, é oriunda de Homs, na Síria, mas agora vive em Baabdat, uma cidade na faixa do Monte Líbano com vista para a capital, Beirute. Ela tem três filhos e chegou ao país em 2013 após oito meses de deslocamento dentro da Síria. Seu marido foi morto em um acidente de carro em 2015, deixando-a sozinha e com dificuldade para cuidar dos filhos.

Enquanto tenta garantir alguma renda em trabalhos que não exijam mão de obra qualificada para ajudar a pagar o aluguel e as contas, Manar diz que a assistência de 175 dólares por mês, ajudou a proporcionar o que ela espera ser a base para o futuro de seus filhos.

“A assistência em dinheiro me permite pagar pelo transporte escolar dos meus filhos”, explicou. “Eu sempre digo a eles que não poderei deixá-los uma herança depois que o pai deles morreu, mas posso assegurar-lhes uma educação e, por meio dela, eles podem conseguir o que quiserem”.

“Refugiados como eu têm necessidades e maneiras de gastar diferentes”, acrescentou. “Às vezes seus filhos adoecem e é preciso levá-los ao médico. Quando você dá dinheiro aos refugiados, você está dando a eles a liberdade de usar o dinheiro quando mais precisam”.

Mesmo antes da crise financeira atual, a representante do ACNUR no Líbano, Mireille Girard, disse que o fato de os recursos disponíveis não terem conseguido acompanhar o aprofundamento da pobreza entre os refugiados significava que muitos sírios carentes já estavam ficando para trás.

“O problema que temos é que devemos ajudar 76% da população, mas estamos ajudando apenas uma parte dos 58% abaixo da linha da pobreza extrema”, afirmou. “No momento, suas vulnerabilidades estão aumentando e mal estamos mantendo o nível de assistência que asseguramos no ano anterior”.


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