Falta de coordenação da ajuda humanitária prejudica avanço no Haiti

Projetos de remoção de entulho estão avançando, mas a ausência de gerenciamento de recursos gera ajuda duplicada e diminui eficiência das intervenções.

A situação do Haiti está melhorando de acordo com relatório do Grupo Consultivo Ad Hoc do Conselho Econômico e Social da ONU. “O progresso na limpeza e reconstrução, na capital, Porto Príncipe, e na região metropolitana é visível e mostra que a sociedade haitiana está mobilizada e que a ajuda da comunidade internacional tem sido útil”, registra o documento. Entretanto, a coordenação da ajuda humanitária continua sendo um desafio e o atraso na formação do Governo atrasa as contribuições.

A coordenação “tornou-se particularmente urgente considerando o aumento no número de parceitos oferecendo ajuda ao Haiti e os recursos empenhados no processo de reconstrução”. A falta de gerenciamento “cria duplicações e reduz a eficiência das intervenções”.

De acordo com o Representante Especial do Secretário-Geral da ONU no Haiti, Nigel Fisher, a implementação das prioridades do Governo foram “significativamente atrasadas” por causa do embate entre o Presidente Michel Martelly e o Parlamento para a ratificação de um novo Primeiro-Ministro.

Para o Embaixador do Canadá, Keith Morrill, líder do Grupo, “a incapacidade dos atores políticos para encontrar uma solução rápida a esse impasse tem tido consequências negativas sobre a assistência internacional, sobre as perspectivas para o desenvolvimento do Haiti e, mais importante, sobre o povo”.
Os consultores recomendaram uma forte e continuada presença da ONU no país, mas sugeriram que o organismo internacional espalhe representantes das agências pelas províncias e estimule os parceiros para o desenvolvimento a ampliar o número de funcionários fora de Porto Príncipe, apoiando os esforços de descentralização.

Também recomendou-se que o Governo haitiano melhore a produtividade agrícola, crie empregos e integre a capacitação para responder a desastres.