Falta de apoio pode pôr em risco projetos de alimentação escolar na África, diz ONU

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Em missão ao Brasil para discutir o futuro do Programa de Aquisição de Alimentos para a África — o PAA África —, funcionários de agências da ONU reuniram-se com o governo brasileiro e britânico e com o Centro de Excelência contra a Fome dos dias 7 a 10 de março. Para representante do Programa Mundial de Alimentos (PMA), falta de investimentos e de assistência pode comprometer conquistas da iniciativa.

A iniciativa, de inspiração brasileira, tem ajudado a aumentar a produtividade dos pequenos agricultores em alguns países africanos e ligá-los melhor aos mercados, mas falta de recursos ameaça conquistas. Foto: PAA África

A iniciativa, de inspiração brasileira, tem ajudado a aumentar a produtividade dos pequenos agricultores em alguns países africanos e ligá-los melhor aos mercados, mas falta de recursos ameaça conquistas. Foto: PAA África

Em missão ao Brasil para discutir o futuro do Programa de Aquisição de Alimentos para a África — o PAA África —, funcionários de agências da ONU reuniram-se com o governo brasileiro e britânico e com o Centro de Excelência contra a Fome dos dias 7 a 10 de março. Para representante do Programa Mundial de Alimentos (PMA), falta de investimentos e de assistência pode comprometer conquistas da iniciativa.

O PAA África promove a compra institucional de alimentos de agricultura familiar para abastecer projetos de alimentação escolar em centros de ensino. Cinco países — Etiópia, Malauí, Moçambique, Níger e Senegal — participam do programa, criado em 2012 por uma parceria do PMA com o Brasil, o Reino Unido e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

“Os resultados do PAA África nos países participantes depois de cinco anos estariam em risco se os investimentos cessassem. A falta de assistência poderia comprometer o que já foi conquistado”, afirmou o responsável pela iniciativa junto ao PMA, Gianluca Ferrera, durante visita ao Brasil.

Ao longo da viagem, o especialista e a funcionária da FAO, Florence Tartanac, conheceram uma pequena propriedade produtiva próxima a Brasília. Lá, tiveram a oportunidade de conversar com o agricultor e com uma técnica para entender o funcionamento do Programa de Aquisição de Alimentos do Brasil, que inspirou o PAA África.

Os representantes das Nações Unidas também visitaram o Banco de Alimentos, uma instituição pública que recebe mantimentos produzidos pela agricultura familiar no âmbito do Programa de Aquisição e os repassa para populações vulneráveis.

Com cooperação técnica e financiamento, o Brasil ajuda os Estados africanos participantes a replicarem e adaptarem modelos brasileiros para os seus contextos nacionais.

“A assistência técnica fornecida pelo Brasil é positiva, e durante a visita de campo pudemos entender melhor como a extensão rural funciona no Brasil, como a agricultura familiar está integrada ao Banco de Alimentos e a escolas, além de esclarecer algumas dúvidas sobre desafios que enfrentamos no PAA África, como a pontualidade do pagamento aos agricultores”, acrescentou Ferrera.

Em reunião em Brasília, todos os parceiros da iniciativa da ONU, incluindo membros do Departamento para o Desenvolvimento Internacional (DFID), concordaram que o financiamento do PAA África é um dos grandes desafios. A decisão acordada foi de ampliar a base de doadores e tentar incluir fundos dos governos dos cinco países beneficiados.

A Agência Brasileira de Cooperação (ABC) também mostrou interesse em discutir com outras instituições brasileiras envolvidas no programa como o Brasil pode ajudar a manter a iniciativa, considerando que o apoio técnico oferecido pelo país é essencial a sua execução.

A primeira fase do PAA África começou em 2012 e foi até 2013. Já a segunda etapa foi iniciada em 2014 e se encerrou em junho de 2016.


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