Exposição no Rio destaca arte contemporânea na África

Obras produzidas em oito países do continente revelam aspectos culturais e históricos da África; a exposição ‘Ex Africa’ fica no CCBB até 26 de março. Confira nessa matéria especial do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).

No Rio de Janeiro, uma mostra com mais de 80 obras de 18 artistas africanos e 2 brasileiros destaca a arte contemporânea produzida no continente a partir de pinturas, esculturas, fotografias, vídeos e instalações.

No Brasil, ‘Ex Africa’ ganha ainda mais importância devido aos laços históricos com o continente africano e relembra a contribuição da herança africana para a identidade brasileira.

O país possui a segunda maior população negra do mundo, atrás apenas da Nigéria. Segundo o IBGE, 54% da população de mais de 200 milhões de habitantes são afrodescendentes.

O tema da exposição dialoga com a Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024), reconhecido pela comunidade internacional como grupo distinto cujos direitos humanos precisam ser promovidos e protegidos.

“Quando eu aporto com esses barcos aqui neste lugar, eu estou falando também de um momento histórico que o país viveu. O artista, em seu processo de criação, traz um pouco sobre o nosso passado colonial”, contou o brasileiro Arjan Martins, diante da série de pinturas que retratam caravelas e relembram o tráfico transatlântico (séculos 16 ao 19). Além de Arjan, o brasileiro Danton Paula também participa de Ex Africa.

A exposição, que ficará em cartaz até 26 de março de 2018, no Centro Cultural Banco do Brasil, também propõe críticas políticas como Maqam, do egípcio Youssef Limoud.

“Essa obra está ligada ao que acontece com a gente agora, no Egito, que é parte de todo o continente africano. Você não acha que países como o Egito estejam em ruínas. Na verdade, as ruínas são mais mentais depois de toda essa ditadura do regime militar”, contou Youssef, explicando a sua instalação que compôs com elementos coletados nas ruas como areia, plástico, vidro e papel.

Curador da mostra, o alemão Alfons Hug, viaja o mundo como participante e realizador de exposições de arte. Em ‘Ex Africa’, ele tenta mostrar ao público um pouco da rica e diversificada produção de um continente de 54 países.

“Nos últimos 20 anos, a África conseguiu se afastar daquela ideia de folclore. Hoje falamos de arte contemporânea de verdade, com todas as técnicas e propostas estéticas que a arte contemporânea explora em todo o mundo.”

Saiba mais sobre a Década Internacional de Afrodescendentes em decada-afro-onu.org.

Saiba mais sobre a exposição Ex Africa em culturabancodobrasil.com.br/portal/ex-africa-2.