Exportação de bens culturais dobrou entre 2004 e 2013, diz relatório da UNESCO

Relatório da UNESCO concluiu que a exportação de bens culturais quase dobrou em dez anos, apesar da recessão global e da migração em massa de consumidores de filmes e músicas para serviços baseados na Internet. Segundo o estudo, a China é agora líder na exportação de bens culturais, seguida pelos Estados Unidos.

Foto: Lynn Lin/Flickr

Foto: Lynn Lin/Flickr

A exportação de bens culturais quase dobrou de 2004 para 2013, mesmo com a recessão global e a migração em massa de consumidores de filmes e músicas para serviços baseados na Internet, segundo relatório lançado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

O estudo do Instituto de Estatísticas da UNESCO (UIS) – denominado “A globalização do comércio cultural: uma mudança nos fluxos de consumo cultural internacional de bens culturais e serviços 2004-2013” e lançado na semana passada – analisou a exportação e importação de bens culturais e serviços entre 161 países.

Em 2013, o comércio global de bens culturais somou 190,5 bilhões de dólares, sendo 212,8 bilhões exportados e 168,3 bilhões importados. O valor das exportações mundiais de bens culturais quase dobrou em relação a 2004, quando estava em 108,4 bilhões de dólares, com a ascensão de novos exportadores como China, Turquia e Índia.

“As exportações de bens culturais foram menos afetadas pela crise econômica. De 2008 a 2009, as exportações de bens culturais caíram 13,5%, enquanto a queda do total de bens foi de 22,4%”, disse o relatório, segundo o qual a partir de 2010 tanto o comércio total de bens como de bens culturais retomaram o crescimento.

A China é, desde 2010, líder na exportação de bens culturais, seguida pelos Estados Unidos. Em 2013, o valor total das exportações culturais chinesas era de 60,1 bilhões de dólares – mais que o dobro dos EUA, com 26,9 bilhões de dólares.

Enquanto os norte-americanos perderam sua posição de principal exportador de bens culturais, permanecem como principais importadores. Em geral, países desenvolvidos têm papel menor na exportação de bens culturais, mas ainda dominam importações, segundo o relatório. Paralelamente, mercados emergentes estão ampliando suas exportações desses bens.

Turquia (2,3 bilhões de dólares em exportações) e Índia (5,5 bilhões de dólares) fortaleceram sua posição nos últimos anos, unindo-se aos 10 principais exportadores de bens culturais do mundo. Já o Brasil exportou apenas 290 milhões de dólares em bens culturais em 2013, patamares semelhantes a de países como Hungria (259,7 milhões de dólares) e Eslováquia (275 milhões de dólares).

Como tendência, o relatório mostrou que, em geral, os países em desenvolvimento exportam artes visuais, assim como artesanatos têxteis e artigos de joalheria. Já países desenvolvidos comercializam principalmente joalheria, artes visuais e livros.

Desmaterialização

No período de 2004 a 2013, a “desmaterialização”, ou a digitalização de produtos, tais como música, filmes e jornais, teve impacto nessas indústrias, que passaram a ser classificadas no campo dos serviços culturais.

O negócio de produtos de música caiu 27% entre 2004 e 2013, e de filmes caiu 88% durante o mesmo período, segundo o relatório. No entanto, o documento disse ainda não ser possível mensurar o impacto da contratação de serviços de assinatura de transmissão (streaming) de música e vídeo globalmente.

“O crescente uso de novos aparelhos para o consumo de produtos culturais, como smartphones e plataformas como Netflix, geraram novos desafios de medição. O desenvolvimento de ferramentas de medição que reflitam as atuais práticas tanto em países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento é necessário”, disse o relatório.

“Uma importante fatia das práticas de comércio de bens culturais e serviços não é acompanhada por estatísticas oficiais, apenas por empresas privadas”, afirmaram os relatores, questionando a necessidade de novas parcerias entre o setor privado e os escritórios de estatísticas nacionais nessa área.