Expectativa de vida dos brasileiros aumentou 30 anos entre 1970 e 2010, diz estudo do Banco Mundial

Crescimento da expectativa de vida se estendeu por toda a América Latina, onde, no entanto, existe a ameaça ainda maior proveniente das doenças crônicas, da violência e das lesões resultantes dos acidentes nas estradas.

Foto: Banco Mundial

O Brasil está entre os países da América Latina que mais realizaram progressos na expectativa de vida de sua população: entre 1970 e 2010 a expectativa aumentou em 30 anos. Outros países da região também conquistaram progressos semelhantes, como Costa Rica, Equador e República Dominicana, enquanto a maioria conseguiu ganhos entre 20 e 30 anos. Com avanços menores, Guiana, Haiti, Suriname e Uruguai aumentaram a média em 15 anos ou menos no mesmo período.

Os dados são do relatório intitulado “O Fardo Global da Doença: Gerando Evidências, Conduzindo Políticas”, edição regional para América Latina e Caribe, lançado nesta quarta-feira (4) e produzido pela Rede de Desenvolvimento Humano do Banco Mundial junto ao Instituto de Métrica e Avaliação em Saúde e a Universidade de Washington. O estudo busca mapear e pesquisar as mortes em razão de doenças, lesões e fatores de risco por idade, sexo e localização.

Apesar dos latino-americanos estarem vivendo mais, o relatório alerta que estes enfrentam uma grande ameaça, proveniente das doenças crônicas, da violência e das lesões resultantes dos acidentes nas estradas.

O relatório observou que na região as doenças devido a lesões e doenças não transmissíveis (DNT) cresceram. As lesões por violência no Brasil, Equador e em muitos países da América Latina encabeçam essas tendências. Segundo o estudo, muitos países sofreram com o aumento dos níveis da violência interpessoal — dentro da família, de gênero, na comunidade ou entre indivíduos sem relação pessoal.

Embora os latino-americanos estejam vivendo mais, não estão levando uma vida mais saudável. A má alimentação, alta pressão sanguínea e o consumo de bebidas alcoólicas estão entre os principais riscos para os anos de vida ajustados em função da incapacidade (DALY’s), ou seja, os anos perdidos de vida saudável. O consumo do álcool foi alto em particular no Brasil e Venezuela, onde foi respectivamente a terceira e quarta causa de risco dos DALY’s em 2010.

Os DALYs causados por DNT, como depressão, doenças renais crônicas, lesões músculo-esqueléticas, cirrose e transtornos pelo uso do álcool e drogas aumentaram na região entre 1990 e 2010.

Em 2010, as DNTs nos adultos – como as cardiopatias, a obesidade e a diabetes – superaram as enfermidades transmissíveis infantis como principal causa de óbitos na região. No entanto, o relatório observa avanços na redução das doenças cardíacas isquêmicas e no acidente vascular cerebral (AVC).

Em relação às doenças transmissíveis, ao longo das duas últimas décadas, a América Latina apresentou substanciais avanços nos cuidados de saúde nutricional, materna e de recém-nascidos, o que levou a uma diminuição na morte prematura e na incapacidade causadas pela maioria dessas enfermidades.

Os acidentes nas estradas são outra causa importante das mortes na região. A cada ano 130 mil pessoas morrem nas estradas da América Latina e mais 6 milhões acabam feridas. Como resultado, a região ocupa uma posição preocupante no ranking global de mortes por fatalidades nas estradas.

De acordo com o relatório, ao mesmo tempo em que os países latino-americanos se tornaram mais desenvolvidos, os desastres rodoviários se tornaram um dano crescente sobre a saúde humana. Os DALY’s causados por acidentes nas estradas aumentaram em 27% e o fator saiu do sétimo, em 1990, para o quarto lugar em 2010 no ranking dos principais fatores dos DALY’s. As fatalidades nas estradas foram a principal causa para os DALY’s no Equador há três anos.

Para acessar o relatório em inglês, clique aqui.