Expansão de assentamentos prejudica esforços de paz entre Israel e Palestina, alerta enviado da ONU

A expansão contínua dos assentamentos está tornando a solução de dois Estados entre Israel e Palestina cada vez mais inatingível, disse um alto funcionário das Nações Unidas ao Conselho de Segurança nesta semana.

“Além dos assentamentos ilegais, a prática de demolir estruturas palestinas na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e o deslocamento de palestinos prejudicam as perspectivas de paz”, disse Nickolay Mladenov.

Nickolay Mladenov, coordenador especial das Nações Unidas para o processo de paz no Oriente Médio, se dirige ao Conselho de Segurança. Foto: ONU/Kim Haughton

Nickolay Mladenov, coordenador especial das Nações Unidas para o processo de paz no Oriente Médio, se dirige ao Conselho de Segurança. Foto: ONU/Kim Haughton

A expansão contínua dos assentamentos está tornando a solução de dois Estados entre Israel e Palestina cada vez mais inatingível, disse um alto funcionário das Nações Unidas ao Conselho de Segurança nesta segunda-feira (25). As atividades também prejudicam a crença palestina nos esforços de paz internacionais.

“Além dos assentamentos ilegais, a prática de demolir estruturas palestinas na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e o deslocamento de palestinos prejudicam as perspectivas de paz”, disse Nickolay Mladenov.

Mladenov relatou que, desde junho, as atividades de assentamento ilegais de Israel continuaram a uma “alta taxa”, um padrão consistente no decorrer deste ano. A atividade durante este período foi concentrada principalmente em Jerusalém Oriental ocupada, onde os planos avançaram para mais de 2.300 unidades habitacionais em julho, 30% mais do que para todo o ano de 2016.

O período de relatório testemunhou o despejo de uma família palestina em Sheikh Jarrah, residentes por mais de 50 anos, após uma prolongada batalha legal. O prédio está localizado em uma seção do bairro que foi alvo de vários dos planos de assentamento em julho.

“As Nações Unidas consideram todas as atividades de assentamento ilegais sob o direito internacional e um impedimento à paz”, afirmou o coordenador especial.

Mladenov apontou que a violência persistiu como um dos principais obstáculos para resolver o conflito. Embora o período de relatório tenha sido caracterizado por níveis relativamente baixos de fatalidades, ocorreram vários incidentes, resultando na morte de 19 palestinos e 8 israelenses. A violência relacionada com os colonos e as demolições punitivas de casas palestinas pelas autoridades israelenses também persistiram.

“A continuação da violência contra civis […] perpetua o medo e a suspeita mútuos, prejudicando todos os esforços para fechar a lacuna entre os dois lados”, disse Mladenov.

“Mais uma vez encorajo os palestinos e israelenses a demonstrar seu compromisso de rejeitar a violência, retórica inflamatória e ações provocativas.”