Exército sudanês impede equipe da ONU de investigar mortes de civis em Darfur

Grupo de verificação foi barrado a caminho do local onde relatos da imprensa indicavam a morte de 13 pessoas. Cortejo fúnebre com centenas de pessoas levou os corpos de dez pessoas até os portões da sede da Missão da ONU no país.

Foto: UNAMIDUma equipe de verificação da  Missão das Nações Unidas e da União Africana em Darfur (UNAMID) foi impedida, no sábado (3), pelo exército do Sudão de coletar informações na área onde, de acordo com a imprensa, ataques contra civis deixaram 13 mortos. Grupo de verificação foi barrado em um posto militar a caminho da região.

Enquanto isso, no mesmo dia, centenas de pessoas marchavam em um cortejo fúnebre para El Fasher, capital de Darfur do Norte, levando dez corpos até os portões da sede da UNAMID, a cerca de 40km de onde os ataques teriam ocorrido. De acordo com a imprensa, o foco da violência na sexta (2) foi a aldeia de Sigili, na área de Shawa, ao sudeste da capital de Darfur do Norte.

Os líderes do cortejo foram recebidos pela Chefe da Missão, Aichatou Mindaoudou, que ouviu apelos pela investigação dos crimes. “Estou consternada com essas mortes e muito preocupada com os repetidos incidentes que levaram à morte, lesão da população local, bem como o seu deslocamento”, afirmou a Representantes Especial da UNAMID.”Eu reitero minha firme condenação de todas as formas de violência em Darfur, especialmente os ataques contra civis, que constituem crimes graves”, acrescentou em um comunicado.

Após o encontro, manifestantes e familiares contaram com o apoio da Polícia da ONU para garantir a segurança durante o cortejo e o enterro das vítimas.

A violência em Darfur dura nove anos e tem como principal motivo os conflitos entre comunidades, perpetrados por grupos armados contra civis e confrontos esporádicos entre o Governo e os movimentos armados.

Fundada em julho de 2007, a UNAMID tem a proteção de civis como o seu mandato principal. Além disso, a Missão tem a tarefa de facilitar a entrega de ajuda humanitária e ajudar com um processo de paz inclusivo em Darfur.