Ex-presidente do Chile é oficialmente nomeada chefe de direitos humanos da ONU

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou na sexta-feira (10) a nomeação da ex-presidenta do Chile Michelle Bachelet como próxima alta-comissária da ONU para os direitos humanos, a partir de 1º de setembro.

Como este ano marca o 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em um momento em que “o ódio e a desigualdade estão em alta”, o secretário-geral da ONU disse que era essencial ter uma “forte defensora de todos os direitos humanos” no posto, e que não poderia pensar em uma escolha melhor.

Michele Bachelet discursa como presidente do Chile em sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU em março de 2017. Foto: ONU/Jean-Marc Ferre

Michele Bachelet discursa como presidente do Chile em sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU em março de 2017. Foto: ONU/Jean-Marc Ferre

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou na sexta-feira (10) a nomeação da ex-presidenta do Chile Michelle Bachelet como próxima alta-comissária da ONU para os direitos humanos, a partir de 1º de setembro.

Minutos depois de o nome de Bachelet ter sido aprovado, o chefe da ONU, Antonio Guterres, disse a jornalistas ter ficado “encantado” com a notícia de sua nomeação oficial, já que a ex-presidente chilena é uma “pioneira” e “uma figura formidável” tanto para o Chile como para as Nações Unidas.

Destacando seu papel como a primeira líder da ONU Mulheres, entre 2010 e 2013, Guterres disse que Bachelet deu “à nova entidade um início dinâmico e inspirador”. Ele também lembrou sua notável carreira como “a primeira mulher a atuar como presidente do país, mas também como uma sobrevivente da brutalidade das autoridades que a atacaram, assim como sua família, décadas atrás”.

“Ela viveu sob a escuridão da ditadura”, continuou ele. “Como médica, ela viu pessoas buscando atendimento de saúde e ansiando por direitos econômicos e sociais. E ela conhece as responsabilidades da liderança nacional e global”.

Após o anúncio, Bachelet disse que estava “profundamente honrada” por ter sido encarregada dessa “tarefa importante”.

Como este ano marca o 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em um momento em que “o ódio e a desigualdade estão em alta”, o secretário-geral da ONU disse que era essencial ter uma “forte defensora de todos os direitos humanos” no posto, e que não poderia pensar em uma escolha melhor.

“Michelle Bachelet traz uma experiência única para as Nações Unidas e para todos nós, e está fortemente empenhada em manter os direitos humanos na vanguarda do trabalho da ONU”, concluiu. “Ela tem toda a minha confiança e apoio, e peço a todos os Estados-membros e nossos parceiros que estendam seu apoio a ela”.

Seu antecessor no cargo, Zeid Ra’ad Al Hussein, que assumiu em setembro de 2014 e que Guterres descreveu como tendo servido com “liderança, coragem e habilidade” nos últimos quatro anos, também acolheu calorosamente a nomeação de Bachelet.

“Ela tem todos os atributos — coragem, perseverança, paixão e um profundo compromisso com os direitos humanos — para ser uma alta-comissária de sucesso”, disse ele na sexta-feira (10), acrescentando que o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) está ansioso para dar as boas vindas e trabalhar sob a liderança de Bachelet na promoção e proteção de todos os direitos humanos, para todos, em todos os lugares”.

O chefe da ONU prestou homenagem especial a Zeid, que no final deste mês está deixando o cargo depois de um mandato como a principal voz das Nações Unidas para os direitos humanos, dizendo que gostaria de expressar sua profunda gratidão ao “bom colega e amigo”.

Michelle Bachelet será a sétima pessoa a ocupar o cargo desde sua criação, em 1993. O alto-comissário é o principal funcionário que fala pelos direitos humanos em todo o Sistema ONU, fortalecendo seus mecanismos; reforça a igualdade; combate a discriminação em todas as suas formas; fortalece a responsabilidade e o Estado de Direito; amplia o espaço democrático e protege os mais vulneráveis ​​de todas as formas de abuso dos direitos humanos.