Ex-líder do Khmer Vermelho nega acusações diante do tribunal da ONU no Camboja

“Foram os vietnamitas que mataram os cambojanos”, alega Nuon Chea, número dois do regime. “Não quero que acreditem que o Khmer Vermelho são pessoas más.”

O Vietnã, não o Khmer Vermelho, é responsável pelo genocídio que matou dois milhões de pessoas no Camboja no fim da década de 70, alegou nesta segunda-feira (05/12) o segundo na linha de comando do regime ao tribunal especial da ONU.

Nuon Chea, 85, ex-secretário adjunto do Partido Comunista de Kampuchea e “Irmão Número Dois”, disse às Câmaras Extraordinárias do Tribunal do Camboja (ECCC) em Phnom Penh que o Vietnã “controlava tudo” durante o período que culminou com o governo do Khmer Vermelho, de 1975 a 1979.

“Estes crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio não foram cometidos pelo povo cambojano”, declarou na abertura dos testemunhos em seu julgamento. “Foram os vietnamitas que mataram os cambojanos. As alegações contra mim não são corretas.”

Nuon e outros dois ex-líderes do Khmer Vermelho, Ieng Sary e Khieu Samphan, enfrentam julgamento nas ECCC por genocídio, crimes contra a humanidade e graves violações da Convenção de Genebra de 1949.

Para os promotores, os três cometeram uma série de crimes, incluindo assassinatos, escravização, uso da força para “esmagar” os inimigos, casamentos forçados, perseguição religiosa e deslocamento forçado da população de áreas urbanas para rurais.

Nuon disse que se juntou ao movimento local de resistência de esquerda durante a era colonial francesa com a esperança de construir uma nação independente baseada na justiça social.

Ele disse que o vizinho Vietnã dominou o movimento comunista em toda a região, patrocinou um movimento de resistência dentro do Camboja e instalou um regime clientelista em 1979, depois da queda do Khmer Vermelho.

“Não quero que a próxima geração não compreenda a história. Não quero que acreditem que o Khmer Vermelho são pessoas más, criminosas. Nada disso é verdade.”

As ECCC são uma corte mista criada em 2003 sob acordo das Nações Unidas com o governo do Camboja para julgar os acusados dos piores crimes durante o genocídio.