Ex-consultor da ONU, Milton Thiago de Mello comemora 100 anos com conferência internacional

Professor Milton Thiago de Mello é o atual presidente da Academia Brasileira de Medicina Veterinária. Seu aniversário foi marcado na Universidade de Brasília (UnB) e reuniu cientistas, docentes e ex-alunos de diversas instituições brasileiras e estrangeiras. São mais de 80 anos dedicados à ciência, sem previsão de aposentadoria.

O professor Milton Thiago de Mello (ao centro, de terno branco) junto a colegas e amigos que participaram do congresso internacional na UnB, onde ele atualmente atua. Foto: OPAS/OMS

O professor Milton Thiago de Mello (ao centro, de terno branco) junto a colegas e amigos que participaram do congresso internacional na UnB, onde ele atualmente atua. Foto: OPAS/OMS

O professor Milton Thiago de Mello, ex-consultor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e atual presidente da Academia Brasileira de Medicina Veterinária (Abramvet), completou 100 anos no último dia 5 de fevereiro. Para comemorar a data, ele reuniu em Brasília (DF) cientistas, docentes e ex-alunos de diversas instituições brasileiras e estrangeiras em uma conferência internacional.

O evento, que aconteceu entre nos dias 29 a 31 de janeiro no campus da Universidade de Brasília (UnB), contou com a participação de importantes nomes da medicina veterinária, como a presidente da Associação Mundial de Veterinária, René Carlson, e o presidente da União Geral de Médicos Veterinários da Tunísia, Faouzi Kechrid. Quem esperava ver o homenageado como um mero espectador foi surpreendido por uma pessoa totalmente ativa e responsável pela condução de todas as atividades durante o evento.

O ex-diretor de Saúde Pública Veterinária da OPAS e do Panaftosa, Albino José Belotto, também marcou presença entre os palestrantes. Na sua fala, ele destacou a importância dos animais para a continuidade da vida humana e ressaltou que as zoonoses são resultado do desequilíbrio nessa relação. “O futuro é a nossa convivência com os animais. No dia que isso não existir, também não existirá mais a espécie humana.”

Belotto também chamou a atenção para o papel de destaque desempenhado pelas Américas no campo da saúde e para a necessidade de maior compartilhamento de dados sobre a saúde entre os países. “É preciso abrir e compartilhar os bancos de dados sobre saúde. Não podemos misturar política com saúde. Tem países que não notificam por problemas políticos, e isso não pode”, disse Belotto.

“É preciso que se tenha um acordo entre os países para que todos tenhamos os dados e informações. Precisamos ter dados mais transparentes na área da saúde. Sem isso, não vamos poder fazer uma coisa importantíssima que é a prevenção de doenças. Quando ocorre a doença, já houve uma falha anterior. Temos que prevenir e, para isso, precisamos ter indicadores muito precisos para poder tomar as decisões e executar as ações necessárias”, acrescentou.

No fim, ao parabenizar o homenageado, o ex-diretor do Panaftosa arriscou elencar três segredos que teriam contribuído para a longevidade do professor Milton: nunca estar satisfeito; estar sempre inovando; e a constante busca por alianças. “Ontem e hoje aqui tivemos pessoas de diversas áreas, além de veterinários. Isso é aliança. Nós não podemos trabalhar sozinhos, não vivemos sozinhos. Vivemos em uma comunidade. O Dr. Milton já deu exemplos e vai continuar dando de como buscar alianças.”

Novo livro

Cem anos não foram suficientes para dar vazão a toda a criatividade e produção científica do professor Milton Thiago de Mello, que já escreveu cerca de 224 textos científicos, entre artigos e livros.

Durante o evento, foi lançada a sua mais recente obra, o livro “Poste de Cozumel”. Na publicação, Mello fez alusão a sete fitas para contar episódios da sua vida. “São muitas faixas, eu escolhi sete delas, com as quais eu lidei mais tempo. A mais importante é a ‘faixa científica’, na qual passei 80 anos da minha vida e ainda hoje dou meus pulinhos nela”, brincou o pesquisador.

Nascido em 5 de fevereiro de 1916, no Rio de Janeiro (RJ), Milton Thiago de Mello graduou-se em 1937 pela Escola de Veterinária do Exército, no Rio de Janeiro, e obteve o título de Doutor em microbiologia em 1946 pela Escola Nacional de Veterinária. Atuou como médico veterinário em diversas organizações militares e trabalhou no Instituto Oswaldo Cruz (IOC), vinculado à Fiocruz, por quase 20 anos.

Foi docente no Colégio Militar do Rio de Janeiro e professor e pesquisador na Universidade de Brasília, onde atuou ativamente sobre temas relacionados ao bem-estar animal, meio ambiente e animais silvestres (principalmente primatas). Além disso, foi decano de pesquisa e pós-graduação. “Os 20 anos que passei na UnB foram muito felizes. Inventei de trabalhar com macaco, que já tinha pesquisado há muitos anos, e criei um Centro de Primatologia.”

Ao longo das décadas, desenvolveu estudos sobre microbiologia aplicada à saúde pública, como brucelose, peste bubônica e outras zoonoses. Foi bolsista da Fundação Guggenheim na Universidade da Califórnia-Berkeley e consultor em vários organismos internacionais – entre eles a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) –, com projetos em diversos países, como Estados Unidos, México, El Salvador, Guatemala, Peru, Haiti e República Dominicana.

É membro da New York Academy of Sciences, Emérito da American Academy of Microbiology e Honorário da Sociedade Brasileira de Primatologia, da Associação Mico-Leão Dourado, da Associação Mundial de Veterinária e da Zoological Society of London.

Atualmente na presidência da Academia Brasileira de Medicina Veterinária, em parceria com a Sociedade Nacional de Agricultura, Milton Thiago de Mello segue em plena atividade: ministra palestras, escreve trabalhos e livros e participa de congressos nacionais e internacionais.

Para se ter ideia, em setembro de 2015 ele foi à Turquia, onde apresentou trabalho no 32º Congresso Mundial de Veterinária. Dois anos antes, foi a Praga, na República Tcheca, receber a mais alta honraria da profissão veterinária: o Prêmio John Gamgee, concedido durante o 31º Congresso Mundial de Veterinária. Nos últimos anos sua atenção orientou-se para a segurança alimentar, com numerosos trabalhos e livros publicados.


Comente

comentários