Evocando Hiroshima e Nagasaki, Subsecretário-Geral da ONU pede fim do uso de armas nucleares

Lembrando o número de mortes nos ataques nucleares durante a Segunda Guerra Mundial em Hiroshima e Nagasaki, o Subsecretário-Geral da ONU para Informação Pública e Comunicações apelou esta semana para o fim ao uso das armas nucleares, que continuam a ser uma “ameaça apocalíptica”.

Lembrando o número de mortes nos ataques nucleares durante a Segunda Guerra Mundial em Hiroshima e Nagasaki, o Subsecretário-Geral da ONU para Informação Pública e Comunicações apelou esta semana para o fim ao uso das armas nucleares, que continuam a ser uma “ameaça apocalíptica”.

Subsecretário-Geral para Informação Pública e Comunicações da ONU, Kiyotaka Akasaka, fala durante o lançamento de uma exposição sobre efeitos das armas nucleares utilizadas em Hiroshima e Nagasaki. Foto: UN/Paulo Filgueiras.
Subsecretário-Geral para Informação Pública e Comunicações da ONU, Kiyotaka Akasaka, fala durante o lançamento de uma exposição sobre efeitos das armas nucleares utilizadas em Hiroshima e Nagasaki. Foto: UN/Paulo Filgueiras.

As duas cidades foram destruídas em agosto de 1945 e mais de 200 mil pessoas morreram por causa da radiação nuclear através das ondas de choque oriundas das explosões de radiação e pela radiação térmica. Além disso, mais de 400 mil pessoas morreram e continuam a morrer desde o fim da II Guerra Mundial, por conta dos efeitos posteriores das bombas. Centenas de testes nucleares foram realizados nas décadas seguintes, desde o fim da guerra, e há mais de 20 mil armas nucleares nos arsenais de todo o mundo, afirmou o Subsecretário-Geral para Informação Pública e Comunicações, Kiyotaka Akasaka, durante o lançamento de uma exposição multimídia na sede da ONU que tem como foco os hibakusha, sobreviventes dos ataques. “É por isso que o compromisso da comunidade internacional com a não-proliferação e com o desarmamento nuclear é tão importante”, acrescentou.

A exposição conta com fotografias que mostram como os sobreviventes deram sequência a suas vidas após as explosões e mostra também os artefatos recuperados a partir das denominadas “áreas de sopro”, bem como um vídeo de 30 minutos intitulado Hiroshima: uma Oração das Mães. Os prefeitos de Hiroshima e Nagasaki, Tadatoshi Akiba e Tomihisa Taue, falaram durante a abertura da exposição na sede da ONU, que coincidiu com o início da Conferência de 2010 para Exame do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), em Nova York.

Nuvem atômica se espalha sobre Nagasaki, em fotografia retirada a aproximadamente 3 quilômetros ao sul do hipocentro da explosão, em 9 de agosto de 1945. Mais de 400 mil pessoas morreram e continuam a morrer desde o fim da II Guerra Mundial, por conta dos efeitos posteriores das bombas. Foto: UN.

Nuvem atômica se espalha sobre Nagasaki, em fotografia retirada a aproximadamente 3 quilômetros ao sul do hipocentro da explosão, em 9 de agosto de 1945. Mais de 400 mil pessoas morreram e continuam a morrer desde o fim da II Guerra Mundial, por conta dos efeitos posteriores das bombas. Foto: UN.

Representantes de mais de 100 países estão reunidos na sede principal das Nações Unidas desde segunda-feira, dia 03 de maio, para discutir a forma de implementação mais completa do TNP e aumentar a universalidade do pacto, que constitui a base do regime de não-proliferação global. No início do evento, que durará até o dia 28 de maio, o Secretário-Geral, Ban Ki-moon exortou os países a tomar medidas que construam um mundo mais seguro.

“Temos que fazer uma escolha: deixar um legado de medo e passividade ou agir com visão, coragem e liderança”, afirmou Ban na conferência. “Todos sabemos que é possível”. O desarmamento e a não-proliferação nuclear estão entre as prioridades de Ban Ki-moon desde que assumiu a chefia da ONU em 2007. Ele caracterizou o TNP, marco zero do regime de não-proliferação global, como um dos mais importantes tratados mundiais jamais alcançado, já que a ameaça nuclear continua sendo uma realidade.

A conferência da última revisão do TNP em 2005 foi um fracasso, afirmou Ban Ki-moon, depois de ter acabado sem qualquer acordo substantivo por parte dos Estados-Parte e signatários. “Desta vez, podemos – e devemos – fazer melhor”.


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