Evento em SP discute ações para ambiente de trabalho seguro para mulheres

Necessidade de implementar ações para promover um ambiente seguro de assédio sexual, atenção às vítimas e promoção da educação. Estas foram as principais propostas de empresas para melhorar as condições de trabalho das mulheres no último dia do Fórum Weps 2019.

O evento foi promovido pela ONU Mulheres, Organização Internacional do trabalho (OIT) e União Europeia nos dias 8 e 9 de outubro, em São Paulo, e faz parte do programa “Ganha-Ganha: Igualdade de Gênero Significa Bons Negócios”.

Denise Chevanne-Vogel, especialista para o setor privado da ONU Mulheres Jamaica, participa do Fórum Weps em São Paulo. Foto: Gustavo Dantas/ONU Mulheres

Denise Chevanne-Vogel, especialista para o setor privado da ONU Mulheres Jamaica, participa do Fórum Weps em São Paulo. Foto: Gustavo Dantas/ONU Mulheres

Necessidade de implementar ações para promover um ambiente seguro de assédio sexual, atenção às vítimas e promoção da educação. Estas foram as principais propostas de empresas para melhorar as condições de trabalho das mulheres no último dia do Fórum Weps 2019. O evento foi promovido pela ONU Mulheres, Organização Internacional do trabalho (OIT) e União Europeia nos dias 8 e 9 de outubro, em São Paulo, e faz parte do programa “Ganha-Ganha: Igualdade de Gênero Significa Bons Negócios”.

Nos dois dias de encontro, mais de 250 pessoas conferiram as práticas de diferentes empresas, assim como o compromisso das organizações para conscientizar, engajar e mobilizar lideranças e tomadoras e tomadores de decisão sobre o tema. As companhias apontaram caminhos, como programas de capacitação, modelos de boas práticas, além de ferramentas de conscientização, como campanhas eficazes no ambiente de trabalho.

O racismo nas relações de trabalho foram pontos abordados pela coordenadora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), Cida Bento. Ela relatou como o debate sobre interseccionalidade de gênero, raça e etnia enfrenta obstáculos concretos, que impedem visibilidade dos problemas e medidas para promover ambientes de trabalho com diversidade racial. “Não é uma questão de direitos humanos. É uma questão de justiça, sensibilidade. É estatística. Qualquer análise que se faça do país, em que é desconsiderado o que acontece com mais da metade da população, essa análise não conversa com a realidade do país”.

Em reunião com a a diretora regional da ONU Mulheres para Américas e Caribe, Maria-Noel Vaeza, a diretora do Instituto Avon, Daniela Grelin, relatou os efeitos do machismo na vida profissional das mulheres: três colaboradoras foram vítimas de feminicídio. “Temos pressa de mudar o país e impedir a violência contra as mulheres”, afirmou, lembrando sobre a importância de investir em prevenção, enfrentamento do problema, responsabilização e acolhimento das vítimas.

Propostas de apoio às mães no mercado de trabalho e compartilhamento das tarefas do cuidado com os homens também tiveram destaque na programação do Fórum WEPs. De acordo com pesquisa apresentada pela sócia da Rede Maternativa Brasil, Vivian Abukater, sobre o que pensam grávidas que trabalham, mais de 60% das entrevistadas disseram não saber se conseguirão manter o ritmo de trabalho durante a gestação e após o retorno ao trabalho.

O medo de ser demitida após a estabilidade da licença e a falta de flexibilidade no horário foram preocupações reveladas por aproximadamente 50% das participantes. Além disso, 79% das mulheres têm receio de sofrer retaliações por se ausentar do mercado de trabalho para atender a compromissos com os filhos e de não conseguir conciliar maternidade e trabalho.

Apesar dos desafios apresentados durante o evento, as empresas trocaram experiências de soluções, a exemplo da manutenção do compromisso e do incentivo a mulheres a continuarem trabalhando, mesmo tendo crianças de 0 a 3 anos. Como auxílio a essa fase, foi citada a necessidade da criação de salas de amamentação e a capacitação de profissionais para lidar com temas como parentalidade, além do diálogo permanente.

Para Maria-Noel Vaeza, todas as iniciativas apresentadas para melhorar as condições de trabalho das mulheres são importantes formas de revolução. “É fundamental seguirmos juntas e demonstrarmos que podemos fazer a diferença, seja por meio de levantamento de recursos financeiros ou de formas de trabalho que têm como objetivo criar uma sociedade mais justa”, disse. E enfatizou: “Não podemos aceitar nenhuma forma de violência, seja no espaço público, no trabalho, em casa ou na sociedade”.

A série de eventos promovidos pela ONU Mulheres, OIT e União Europeia terminou n dia 10, com o Seminário Internacional Promovendo o financiamento inovador através do investimento inteligente em gênero: Experiências, oportunidades e desafios, que aconteceu no Hotel Transamérica São Paulo.

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Isabel Clavelin, Assessoria de Comunicação da ONU Mulheres Brasil
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