Evento para comunicadores no Rio enfatiza oceanos como pulmões do mundo

As algas marinhas são responsáveis pela produção de 54% do oxigênio do mundo e os mares atuam como reguladores do clima no planeta, segundo dados do Instituto Brasileiro de Florestas (IBF). Sem os serviços prestados pelo oceano, a temperatura poderia ultrapassar 100°C e inviabilizar a vida na Terra. Além disso, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), peixes e frutos do mar são a principal fonte de proteína para uma em cada quatro pessoas no mundo.

Diante da importância de um oceano saudável para a vida, cerca de 350 pessoas reuniram-se na terça-feira (3), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, para participar do Conexão Oceano. O evento, que teve a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) entre os organizadores, foi o primeiro no Brasil a se voltar para comunicadores, influenciadores e pesquisadores com o objetivo de estruturar diretrizes para engajar a sociedade sobre a importância do oceano.

Durante o evento Conexão Oceano, realizado no Rio de Janeiro, cientistas, atletas, jornalistas, influenciadores e artistas discutiram a importância dos ecossistemas marinhos para a sobrevivência na Terra. Foto: CITES

Durante o evento Conexão Oceano, realizado no Rio de Janeiro, cientistas, atletas, jornalistas, influenciadores e artistas discutiram a importância dos ecossistemas marinhos para a sobrevivência na Terra. Foto: CITES

As algas marinhas são responsáveis pela produção de 54% do oxigênio do mundo e os mares atuam como reguladores do clima no planeta, segundo dados do Instituto Brasileiro de Florestas (IBF). Sem os serviços prestados pelo oceano, a temperatura poderia ultrapassar 100°C e inviabilizar a vida na Terra. Além disso, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), peixes e frutos do mar são a principal fonte de proteína para uma em cada quatro pessoas no mundo.

Diante da importância de um oceano saudável para a vida, cerca de 350 pessoas reuniram-se na terça-feira (3), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, para participar do Conexão Oceano. O evento, que teve a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) entre os organizadores, foi o primeiro no Brasil a se voltar para comunicadores, influenciadores e pesquisadores com o objetivo de estruturar diretrizes para engajar a sociedade sobre a importância do oceano.

Entre os participantes, estavam o ator Mateus Solano, as jornalistas Sônia Bridi e Paula Saldanha, a atriz Maria Paula Fidalgo, a velejadora olímpica Isabel Swan, o empresário Vilfredo Schurmann, o surfista Rico de Souza, os pesquisadores Frederico Brandini, Alexander Turra e Ronaldo Christofoletti, entre outros.

Durante o encontro, foram debatidos os impactos sofridos pelos mares, e foram compartilhadas formas de engajar a sociedade em torno do tema, considerado de extrema relevância para a sobrevivência e para o desenvolvimento econômico e social. O público foi formado principalmente por comunicadores, empresários, representantes da sociedade civil, pesquisadores e estudantes.

Professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), Frederico Brandini destacou o importante papel dos oceanos para o planeta, lembrando que eles são o verdadeiro pulmão do mundo.

“Neles é que estão as algas marinhas responsáveis pela produção da maior parte do oxigênio consumido no planeta. Se quisermos continuar usufruindo da generosidade oceânica, precisamos melhorar o currículo didático do ensino fundamental. Além da educação, outra forma de preservar os mares é comunicando mais e melhor”, enfatizou.

Durante sua fala, Mateus Solano lembrou que os humanos não são donos do planeta. “Somos filhos dele. Precisamos dar alguns passos atrás e entender quais caminhos errados tomamos no decorrer da história. Um deles foi utilizar tanto plástico. Se não repensarmos tudo isso, a natureza continuará sofrendo. E é importante lembrar que ela não precisa de nós. A gente é que precisa dela”, ressaltou.

De acordo com a diretora-executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Malu Nunes, o objetivo do evento — promovido pela fundação em conjunto com Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da UNESCO, a UNESCO no Brasil e o Museu do Amanhã — foi aproximar as pessoas dos oceanos.

“Temos o compromisso de proteger os mares, engajar a sociedade e ajudar a ter uma economia mais forte, bem-estar amplo e vida marinha conservada. A ideia foi detectar os principais desafios e ‘inputs’ para cumprirmos esse objetivo”, disse.

Comunicação

“A comunicação é um fator importantíssimo para a conservação da saúde oceânica. Por isso, os meios de comunicação têm papel preponderante na conscientização da população nesta causa. O impacto da não conservação afeta não apenas quem vive no litoral, mas também quem está no interior”, lembrou o vice-presidente da COI/UNESCO na América Latina e Caribe, Frederico Saraiva Nogueira.

Outro ponto abordado no evento foi o fato de os oceanos enfrentarem problemas que podem influenciar negativamente a segurança alimentar dos seres humanos.

“Precisamos reverter esse quadro urgentemente, pois a tragédia é iminente. O Acordo de Paris e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) devem ser cumpridos mundialmente e o Brasil tem um papel fundamental nessas metas, pois tem uma diversidade marinha fantástica, além de grande dependência do sistema marinho”, disse por vídeo o secretário especial das Nações Unidas para o Oceano, Peter Thomson.

“Essa iniciativa de realizar o evento tem um papel preponderante, pois vai ajudar a propagar esse conteúdo e despertar nas pessoas o compromisso de defender o oceano, tão importante para nosso futuro.”

Para Alexander Turra, da Cátedra UNESCO para Sustentabilidade dos Oceanos, é preciso relacionar mais a vida do oceano com a vida da sociedade.

“Os cientistas precisam ser cada vez mais protagonistas da informação. Não adianta ficar apenas dentro dos laboratórios e não interagir com a sociedade. É preciso comunicar de forma simples e objetiva aquilo que nós defendemos”, afirmou o membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

Já Vilfredo Schurmann destacou que “o mar está perdendo fôlego devido ao excesso de poluição. E pude ver isso ao redor do mundo”.

Especializada em coberturas ambientais, a jornalista Sônia Bridi afirmou que “a civilização depende barbaramente da preservação do meio ambiente e algo precisa ser feito”.

As ideias surgidas no decorrer do Conexão Oceano farão parte de estratégias de comunicação em prol da conservação e sustentabilidade dos oceanos e da vida marinha, tema da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, declarada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o período de 2021 a 2030.