Evento no Rio aborda desafios do atendimento à população civil em operações de paz da ONU

O diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), Maurizio Giuliano, participou no fim de abril (26) da 3ª Jornada de Políticas Públicas do Centro de Estudos de Pessoal e Forte Duque de Caxias (CEP/FDC).

Na ocasião, o diretor do UNIC Rio falou sobre as dificuldades de se unir o trabalho de atores humanitários e militares durante operações de paz das Nações Unidas.

Giuliano deu exemplos de inconsistências que podem se manifestar quando a missão possui mandato que implique no enfrentamento de grupos rebeldes, e quando esse conflito acaba prejudicando a interação humanitária com a população local.

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O diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), Maurizio Giuliano, participou no fim de abril (26) da 3ª Jornada de Políticas Públicas do Centro de Estudos de Pessoal e Forte Duque de Caxias (CEP/FDC).

O evento teve como tema “a dimensão humana nas forças militares”, e contou com a participação de militares do Exército, da Marinha e da Força Aérea, bem como membros de Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e representantes de academia e sociedade civil.

Na primeira mesa de debates, as palestrantes apresentaram realidades e desafios na experiência de atendimento à população civil.

A segunda mesa, da qual o diretor do UNIC Rio participou, tratou das ações voltadas para militares e população civil em missões de paz. Giuliano abordou a complexidade envolvendo as ações militares e civis no terreno.

Em primeiro momento, conceituou e diferenciou o que são United Nations Civil-Military Coordination (UN-CIMIC) e United Nations Humanitarian Civil-Military Coordination (UN-CMCoord).

Delimitou a UN-CIMIC como a função do componente militar de facilitar a cooperação com o componente civil a fim de atender os objetivos do mandato. A UN-CMCoord, por sua vez, é o diálogo e a interação entre os atores civis e militares para operar em situações de emergência humanitária. Seu objetivo é proteger e promover princípios humanitários, evitar a competição, minimizar inconsistências e atender objetivos comuns.

Giuliano deu exemplos de inconsistências que podem se manifestar quando a missão possui mandato que implique no enfrentamento de grupos rebeldes, e quando esse conflito acaba prejudicando a interação humanitária com a população local.

“A minha tarefa em Bunia (República Democrática do Congo) era fornecer assistência humanitária a comunidades que apoiavam um grupo armado de oposição”, disse Giuliano. “Mas não era nada fácil dialogar sobre isso com as comunidades, quando os nossos colegas militares têm o mandato de combater o grupo que eles apoiam. Por isso, é essencial trabalhar junto com o braço militar para evitar inconsistências, e idealmente priorizar a ajuda humanitária diante das considerações políticas”.

O diretor também diferenciou a ação humanitária da ação político-militar, e encerrou sua fala com os três “tiers” de proteção de civis. Explicou como funciona cada um deles e como UN-CIMIC e UN-CMCoord se relacionam neste processo. “Levar a proteção a civis vulneráveis é uma responsabilidade conjunta que envolve o âmbito do diálogo político e de negociação, a ação militar, e o entorno protetor”.

“Unir o trabalho de atores humanitários e militares é bem difícil, mas é essencial”, concluiu.

A mesa debateu também o acompanhamento da saúde física e mental dos capacetes-azuis em missões de paz e a relevância da participação brasileira junto às Nações Unidas.