Evento no Museu da República (RJ) debate direito à memória no Dia da Diversidade Cultural

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) lança nesta terça-feira (21), Dia Mundial da Diversidade Cultural, a publicação “Heranças da Escravatura: Manual para Gestores de Sítios e Itinerários de Memória”.

No Brasil, a UNESCO e o Museu da República se uniram para debater o direito à memória e celebrar a data, em evento a ser realizado no Auditório do Museu da República (Rua do Catete, nº 153 – Rio de Janeiro- RJ), das 18h às 20h.

Sítio Arqueológico do Cais do Valongo não é apenas o principal cais de desembarque de africanos escravizados em todas as Américas, como é o único que se preservou materialmente. Foto: UNIC Rio/Natalia da Luz

Sítio Arqueológico do Cais do Valongo não é apenas o principal cais de desembarque de africanos escravizados em todas as Américas, como é o único que se preservou materialmente. Foto: UNIC Rio/Natalia da Luz

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) lança nesta terça-feira (21), Dia Mundial da Diversidade Cultural, a publicação “Heranças da Escravatura: Manual para Gestores de Sítios e Itinerários de Memória”.

No Brasil, a UNESCO e o Museu da República se uniram para debater o direito à memória e celebrar a data, em evento a ser realizado no Auditório do Museu da República (Rua do Catete, nº 153 – Rio de Janeiro), das 18h às 20h.

A publicação faz parte do Programa Rotas do Escravo da UNESCO que, desde 1994, promove por meio da salvaguarda e da pesquisa do legado histórico da diáspora africana um diálogo intercultural para promover a justiça e a coesão social.

As rotas das diásporas, os sítios e os itinerários de memória são temas da nova publicação da UNESCO, uma vez que a memória da escravidão não está gravada apenas nas consciências, mas também em monumentos, sítios históricos e arqueológicos, castelos e fortalezas.

Incluir essa história em topografias e geografias emerge como uma das principais formas de combater a omissão, a negação e a distorção dos fatos diante dessa tragédia social.

Além da apresentação da publicação, que será feita pelo vice-presidente do Comitê Científico Internacional do Projeto Rota do Escravo, Milton Guran, o evento terá mesa-redonda com participação do diretor do Museu da República, Mário de Sousa Chagas, da doutora em História e pesquisadora do Museu Histórico Nacional, Aline Montenegro, do presidente do Conselho Estadual dos Direitos dos Negros- RJ, Luiz Eduardo Negrogun, e da museóloga, doutoranda em Memória Social, com pesquisas sobre o patrimônio cultural imaterial afro-brasileiro e sobre as memórias negras em museus, Clarice Rosa.

Sobre a publicação

“Heranças da Escravatura: Manual para Gestores de Sítios e Itinerários de Memória” é voltado para os gestores de locais relacionados ao tráfico de escravos e à escravatura. O manual fornece uma análise comparativa de experiências de preservação e de promoção desses locais no mundo todo, e propõe orientação prática para sua gestão e desenvolvimento.

Primeiro manual sobre essa questão específica a ser publicado por uma agência da ONU, a publicação é dividia em duas partes: a primeira oferece informações práticas e conceituais para os gestores e mostra exemplos concretos de sítios e museus que estão implementando estratégias de preservação, promoção e interpretação do patrimônio relacionado ao tráfico de escravos e a escravatura.

A segunda parte oferece conselhos e recomendações para o desenvolvimento do Turismo de Memória, respondendo a uma demanda crescente de cidadãos que conheçam melhor essa história. Com o livro, a UNESCO também pretende conscientizar o público sobre questões éticas impostas por esse tipo de sítios históricos. Com acesso gratuito, a publicação está disponível em inglês e francês e está sendo traduzida também para o espanhol.