PANAFTOSA promove discussão sobre formas de fortalecer segurança dos alimentos no Brasil

Alimentos não seguros também dificultam o desenvolvimento em muitas economias de baixa e média renda. Foto: EBC

Para marcar o Dia Mundial da Segurança dos Alimentos no Brasil, o Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (PANAFTOSA-OPAS/OMS) reuniu autoridades nacionais e especialistas na sexta-feira (7), em Brasília (DF). Na ocasião, foram sintetizadas e compartilhadas as ações de cada organização para aperfeiçoar o desenvolvimento do trabalho conjunto em segurança dos alimentos no país.

O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, José Guilherme Tollstadius Leal, destacou que tem buscado trabalhar com a sociedade e os diferentes órgãos de governo, com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), para que os alimentos possam ser produzidos e ofertados com segurança. “No Brasil, a agricultura e a área de saúde têm boas parcerias e acredito que possamos avançar em integração e ter ações mais práticas, que é o que a população espera da gente”.

A analista técnica de políticas sociais do Ministério da Saúde, Fernanda Conde, ressaltou a importância que essa integração representa. “Dentro do leque de atuação da vigilância, precisamos que as informações sejam fluidas, que os dados sejam conectados. Isso é fundamental, porque a vigilância em tempo oportuno significa prevenir mortes e doenças causadas pela insegurança dos alimentos. Este evento é essencial para ajudar nessa conexão”.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Sorvetes (ABIS), Eduardo Weisberg, concordou com a importância do encontro. “Temos que ter troca de informação constantemente. Porque há uma série de informações de que precisamos. Estamos trabalhando para colocar nutrientes no sorvete, por exemplo, e aí precisamos ver com a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) como podemos trabalhar isso, como rotular”.

Segundo a gerente-geral de alimentos da ANVISA, Thalita Antony de Souza Lima, “a tecnologia que está relacionada ao insumo e ao alimento terá um papel importante desde que tenhamos uma honestidade científica, que a ciência fale sempre mais alto, impedindo que questões ideológicas ou sem ciência possam interferir (na regulação)”.

A superintendente técnica adjunta da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Natália Sampaio Sene, concordou. “A CNA também busca se pautar em questões científicas. Quando a gente deixa de se pautar na ciência, perdemos qualquer parâmetro. Não é possível se basear em percepções próprias”. Segundo ela, a confederação trabalha para identificar questões que podem ser melhoradas, a partir das necessidades do setor produtivo.

A coordenadora de Segurança dos Alimentos da PANAFTOSA-OPAS/OMS, Simone Raszl, lembrou que a inocuidade alimentar é um tema global, relacionado a várias metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como promoção da saúde e bem-estar (ODS 3), eliminação da fome (ODS 2) e produção e consumo sustentáveis (ODS 12). “Esse não é um desafio só do Brasil. A gente observa nos outros países a complexidade e a importância de trabalharmos juntos pela segurança dos alimentos. Precisamos não só olhar para o alimento em si, mas para tudo o que pode afetar e o que pode vir a acontecer ainda”, afirmou Simone.

Na mesma linha, a diretora adjunta da Segunda Diretoria Representante da ANVISA, Daniela Marreco Cerqueira, afirmou que a alimentação segura e nutritiva é essencial para o desenvolvimento dos países. “Sabemos que qualquer desvio, qualquer incidente nessa cadeia pode causar problemas graves de saúde pública. Podem afetar também a economia e o comércio em uma escala mundial. Por isso, esse tema é tão relevante para ser trabalhado em todos os países”.

A questão econômica também foi mencionada pelo coordenador do Comitê Codex Alimentarius do Brasil e representante no evento da presidência do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO), André Luis de Souza Santos. “Se não temos alimentos seguros, não temos comércio internacional de alimentos e, com isso, não temos desenvolvimento econômico”.

O encontro organizado pelo PANAFTOSA-OPAS/OMS contou ainda com uma palestra da professora Mariza Landgraf, do Centro de Pesquisa em Alimentos da Universidade de São Paulo (USP). Ela explicou a diferença de definição entre segurança alimentar e segurança dos alimentos.

“Ter segurança dos alimentos é assegurar que o alimento não causará danos ao consumidor quando preparado ou ingerido de acordo com o seu uso pretendido. Segurança alimentar é a condição em que a população tem acesso físico e econômico e de maneira contínua a um alimento seguro, em quantidade e valor nutritivo adequados para satisfazer às exigências alimentares e garantir uma condição de vida saudável e segura”.

Dia Mundial da Segurança dos Alimentos

A primeira celebração do Dia Mundial da Segurança dos Alimentos das Nações Unidas, a ser marcada globalmente em todo 7 de junho, visa fortalecer os esforços para garantir que os alimentos que comemos sejam seguros e destacar que esse tema é responsabilidade de todos.

A cada ano, quase uma em cada dez pessoas no mundo (cerca de 600 milhões de pessoas) adoece e 420 mil morrem depois de ingerir alimentos contaminados por bactérias, vírus, parasitas ou substâncias químicas.

Alimentos não seguros também dificultam o desenvolvimento em muitas economias de baixa e média renda, que perdem cerca de 95 bilhões de dólares em produtividade associada à doença, incapacidade e morte prematura sofrida pelas(os) trabalhadoras(es).

Nas Américas, estima-se que 77 milhões de pessoas sofram um episódio de doenças transmitidas por alimentos a cada ano, metade delas crianças com menos de 5 anos.