Estupradores, e não repórteres, devem enfrentar acusações criminais no Sudão, diz enviada da ONU

Tribunal sudanês prendeu uma jornalista por cobrir o caso do suposto estupro de uma ativista.

Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência Sexual em Conflitos, Margot Wallström

A Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência Sexual em Conflitos, Margot Wallström, manifestou hoje (03/08) a sua preocupação após um tribunal sudanês prender uma jornalista por cobrir o caso do suposto estupro de uma ativista pelas forças de segurança do país, salientando que são os autores que devem enfrentar acusações criminais, não aqueles que relatam tais crimes.

Wallström disse que tais julgamentos não só infringem a liberdade de expressão e dos meios de comunicação, como também inibem as vítimas de violência sexual a falar publicamente sobre os crimes cometidos contra elas. “Independentemente dos fatos neste caso, os jornalistas sudaneses têm o direito de relatar  estupros e outras formas de violência sexual”, disse a Representante em um comunicado.

“Estupradores – e não jornalistas – devem enfrentar acusações criminais no Sudão”, acrescentou. “Somente enfrentando a violência sexual abertamente podemos ter alguma chance de quebrar o que tem sido chamado de maior silêncio da história e, finalmente, acabar com ele.”

Na semana passada um tribunal de Cartum condenou Habani Amal, uma jornalista do jornal independente Al-Jarida, que estava cobrindo o caso do suposto estupro de uma ativista pelas forças de segurança, após um protesto contra o governo, no início deste ano. O tribunal sentenciou-a a pagar duas mil libras sudanesas (600 dólares) ou ir para a cadeia por um mês – ela preferiu ir para a cadeia.

A outra repórter do jornal, Fatima Ghazali, foi dada a mesma sentença no início deste mês. Ela foi presa por um mês após se recusar a pagar a multa, de acordo com relatos da mídia.