Estudo da ONU revela número recorde de demolições nos territórios palestinos em 2016

Estudo concluído recentemente pelas Nações Unidas mostrou que autoridades israelenses demoliram ou ocuparam 1.089 propriedades palestinas na Cisjordânia — incluindo Jerusalém Oriental — em 2016, removendo 1.593 palestinos e afetando as vidas de outros 7.101. Trata-se do maior número de demolições e remoções na Cisjordânia desde que o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) começou a registrar essas informações, em 2009.

Muro que segrega os palestinos, na Cisjordânia. Foto: hjl/Flickr/CC

Muro que segrega os palestinos, na Cisjordânia. Foto: hjl/Flickr/CC

Estudo concluído recentemente pelas Nações Unidas indicou que autoridades israelenses demoliram ou ocuparam 1.089 propriedades palestinas na Cisjordânia — incluindo o Jerusalém Oriental — em 2016, removendo 1.593 palestinos e afetando as vidas de outros 7.101.

De acordo com análises preliminares dos dados, reunidos pelo Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), trata-se do maior número de demolições e remoções na Cisjordânia desde que o escritório da ONU começou a registrar essas informações, em 2009. A maior parte das remoções e ocupações ocorreu devido à falta de permissão de Israel para a construção.

Até o fim de novembro, cerca de 52 mil palestinos foram deslocados na Faixa de Gaza após perderem suas casas durante a escalada das hostilidades de 2014 — uma queda frente aos 90 mil deslocados no fim de 2015. Aqueles que ainda estão deslocados dependem de abrigo temporário oferecido por organizações humanitárias.

No ano, 109 palestinos e 13 israelenses foram mortos, abaixo dos 169 palestinos e 25 israelenses assassinados em 2015. O número de feridos durante protestos e confrontos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental também caiu.

O movimento de pessoas entre Israel e os territórios ocupados também foi mais limitado do que no passado. De acordo com o OCHA, diariamente, uma média de 531 palestinos passaram pelo posto de controle israelense de Erez, na fronteira norte de Gaza, em 2016, abaixo dos 602 de 2015. Antes da segunda Intifada em setembro de 2000, passavam mais de 26 mil pessoas pela fronteira.

Já o posto de controle egípcio de Rafah foi aberto este ano somente em circunstâncias excepcionais, com uma média mensal de 3,3 mil passagens em ambas as direções — abaixo dos 25,2 mil de 2013, antes do fechamento dessa fronteira imposto em outubro de 2014.

Houve, no entanto, algumas melhoras no movimento de bens na comparação com 2014, apesar de a média de caminhões com suprimentos entrando na Faixa de Gaza ter permanecido abaixo de 2007, antes do bloqueio.

Os dados também incluem informação sobre postos de controle e outras barreiras à liberdade de movimento. Enquanto o número acumulado de obstáculos ficou 5% mais alto que no ano passado, o número de postos de controle permanentes caiu, portanto, permitindo mais movimento.

Clique aqui para acessar o estudo completo (em inglês).