Estudo da ONU aponta que 1 em cada 3 venezuelanos não tem o suficiente para comer

A hiperinflação na Venezuela fez com que cerca de um terço da população — mais de 9 milhões de pessoas — não coma o suficiente e precise de assistência, segundo estimativas publicadas na terça-feira (25) pelo Programa Mundial de Alimentos (WFP, na sigla em inglês).

A conclusão é baseada em uma Avaliação de Segurança Alimentar realizada pela agência das Nações Unidas a pedido do governo do país entre julho e setembro do ano passado.

Distribuição de alimentos na Venezuela. Foto: NRC/Ingebjørg Kårstad

Distribuição de alimentos na Venezuela. Foto: NRC/Ingebjørg Kårstad

A hiperinflação na Venezuela fez com que cerca de um terço da população — mais de 9 milhões de pessoas — não coma o suficiente e precise de assistência, segundo estimativas publicadas na terça-feira (25) pelo Programa Mundial de Alimentos (WFP, na sigla em inglês).

A conclusão é baseada em uma Avaliação de Segurança Alimentar realizada pela agência das Nações Unidas a pedido do governo do país entre julho e setembro do ano passado.

“A hiperinflação está afetando a capacidade das famílias de garantir alimentos e outras necessidades básicas”, disse o estudo.

“Cinquenta e nove por cento das famílias têm renda insuficiente para comprar alimentos e 65% não conseguem comprar outros itens essenciais, como produtos de higiene, roupas e sapatos.”

O WFP coletou dados em todo o país, em nível doméstico e comunitário, por meio de mais de 8.300 questionários, analisando padrões de consumo de alimentos, estratégias de subsistência e dados sobre vulnerabilidade econômica.

Os resultados indicam que quase 18% das famílias, ou aproximadamente uma em cada cinco, têm um nível inaceitável de consumo de alimentos. Desse total, 12,3% têm níveis limítrofes de consumo, enquanto 5,5% têm baixo consumo de alimentos.

Além disso, a falta de diversidade alimentar indicou ingestão nutricional inadequada. As famílias consomem cereais, raízes ou tubérculos diariamente, complementados com feijão, lentilha ou outras leguminosas três dias por semana e laticínios quatro dias por semana.

Enquanto isso, o consumo geral de carne, peixe, ovos, legumes e frutas fica abaixo de três dias por semana para cada um desses grupos de alimentos.

A maioria das famílias pesquisadas, ou 74%, adotou estratégias de enfrentamento relacionadas à alimentação, como reduzir a variedade e a qualidade dos alimentos que ingerem. Sessenta por cento relataram redução no tamanho das porções.

Para sobreviver, 33% das famílias também aceitaram trabalhar em troca de alimentos. Outras venderam bens para cobrir necessidades básicas ou gastaram suas economias em alimentos.

“À medida que as famílias esgotam os mecanismos de enfrentamento que estão usando para sustentar o consumo básico de alimentos, há grandes preocupações de que as necessidades nutricionais não sejam atendidas no curto prazo. Isso afetará os mais vulneráveis, incluindo crianças, mulheres grávidas e lactantes e idosos”, disse o WFP.