Estudo da ONU analisa pobreza entre crianças refugiadas em 11 países

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Em pesquisa realizada com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG) avalia o acesso a proteção social entre populações refugiadas vivendo em 11 países do Oriente Médio e Norte da África. Análise aponta que vítimas de deslocamento forçado estão frequentemente excluídas das redes de assistência mantidas pelos governos para combater a pobreza.

Dois refugiados sírios brincam no assentamento informal de Hawch el Refka, no Vale de Bekaa, no Líbano, próximo à fronteira com a Síria. Foto: UNICEF/Halldorsson

Dois refugiados sírios brincam no assentamento informal de Hawch el Refka, no Vale de Bekaa, no Líbano, próximo à fronteira com a Síria. Foto: UNICEF/Halldorsson

Em pesquisa realizada com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG) avalia o acesso a proteção social entre populações refugiadas vivendo em 11 países do Oriente Médio e Norte da África. Análise aponta que vítimas de deslocamento forçado estão frequentemente excluídas das redes de assistência mantidas pelos governos para combater a pobreza.

Em 2017, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) identificou 71,4 milhões de pessoas precisando de proteção internacional por conta de seu status migratório. O número inclui refugiados, solicitantes de refúgio, apátridas e deslocados internos — pessoas que são forçadas a deixar suas comunidades, mas que permanecem dentro do país onde tem cidadania. Em 2016, o organismo internacional estimava que 80% dos refugiados viviam em países em desenvolvimento.

Divulgado ao final de maio, os capítulos do estudo estão divididos por país de acolhimento ou nação onde existem populações de deslocados internos. Pesquisas avaliam a vulnerabilidade de crianças e adolescentes vítimas de deslocamento forçado, que nem sempre são incluídas em estratégias de assistência social nas nações ou comunidades onde encontram um novo lar.

Arábia Saudita
Em 2016, trabalhadores imigrantes e suas famílias, somados às comunidades de refugiados da Síria e do Iêmen, totalizavam um terço da população saudita — 11,7 milhões de pessoas. O país tem um Índice de Desenvolvimento Humano alto, o segundo maior do Oriente Médio e do Norte da África depois do Qatar.

Djibuti
O Djibuti é atualmente um país de trânsito para refugiados e abriga 24 mil migrantes da Somália e do Iêmen. As taxas de pobreza entre as crianças são altíssimas: um estudo recente mostrou que ao menos uma em cada quatro crianças do país pode ser considerada extremamente pobre.

Palestina
O conflito com Israel prejudica a qualidade de vida dos palestinos e está por trás do grande número de refugiados e deslocados internos. As restrições de deslocamento e comércio impostas pelo governo israelense afetam substancialmente a economia e o mercado de trabalho regional.

Irã
O Irã é conhecido por conceder asilo a refugiados: 3,5 milhões de afegãos – a maioria da segunda ou terceira geração – e 30 mil iraquianos estão no país. Desde 2015, os refugiados que possuem registros podem acessar o sistema público de saúde.

Iraque
Desde 2014, a crise humanitária no Iraque prejudicou o acesso das crianças a programas de proteção social, principalmente em territórios dominados pelo Estado Islâmico ou destruídos durante a guerra. Em 2017, 3,4 milhões de iraquianos eram considerados deslocados internos, e um terço da população do país precisava de ajuda humanitária. A falta de documentos é a maior dificuldade para estas pessoas, uma vez que a maioria dos benefícios governamentais exige identificação dos cidadãos.

De acordo com a pesquisa, metade dos deslocados internos no Iraque são crianças. Um em cada cinco jovens iraquianos corre risco de vida, violência física e sexual ou de recrutamento por guerrilheiros.

Jordânia
Alguns dos programas da Jordânia destinados a crianças estão disponíveis tanto para cidadãos locais como para estrangeiros. No entanto, os serviços oferecidos são de curto prazo e insuficientes. O fluxo constante de refugiados nos últimos anos gerou desafios para o governo, que enfrenta dificuldades para promover inclusão no mercado de trabalho e acesso aos programas de proteção social.

Líbano
O Líbano é conhecido por abrigar refugiados palestinos e foi bastante afetado pela crise síria. Em 2017, mais de 1 milhão de refugiados sírios estavam registrados no país. Desse contingente, 55% eram jovens com menos de 18 anos. O fluxo de refugiados aumentou a demanda por educação e saúde e, por isso, o governo libanês autorizou que os sírios acessem serviços públicos em ambas as áreas.

A maior parte da assistência humanitária para os refugiados no Líbano vem de organizações internacionais e é financiada por doações. Em outubro de 2016, o Programa Mundial de Alimentos (PMA), a maior agência humanitária global, implementou programas de transferência de renda com cartões eletrônicos, beneficiando 650 mil sírios e 15 mil palestinos residentes no Líbano.

Líbia
Em julho de 2017, 217 mil residentes do país foram identificados como deslocados internos. Do total, 56% eram crianças. Na Líbia, os deslocamentos forçados são provocados pela violência entre grupos armados rivais. A nação africana também é território de trânsito — entre 700 mil e 1 milhão de refugiados passam pela Líbia.

Síria
A renda dos sírios caiu drasticamente desde o início da guerra civil em 2011: 85,2% da população vive em situação de pobreza e 69,3% dos habitantes do país podem ser considerados extremamente pobres. Estimativas coletadas pelo IPC-IG e pelo UNICEF mostram que 1,2 milhão de pessoas ficaram feridas em meio aos conflitos. Mais de 6 milhões de sírios são deslocados internos, e 4,9 milhões foram forçados a deixar o país durante a guerra. A migração acabou estendendo a crise humanitária para países vizinhos, como a Jordânia e o Líbano.

Sudão
A persistência de conflitos armados afeta significativamente a qualidade de vida das crianças sudanesas, especialmente nas regiões de Darfur, Cordofão do Sul e Nilo Azul. Em 2017, o Sudão tinha 2,3 milhões de deslocados internos. Quase 5 milhões de pessoas dependiam de ajuda humanitária para sobreviver.

Tunísia
O fluxo de refugiados líbios e sírios na Tunísia aumentou em 2017, depois de quedas sucessivas nos dois anos anteriores. O índice Gini da Tunísia, de 35,8, não é alto, mas o mercado de trabalho disfuncional agrava as percepções das desigualdades sociais.

Acesse o estudo na íntegra clicando aqui.


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