Estudo da OIM aponta que 2019 foi um ano mortal para migrantes cruzando as Américas

No ano passado, mais de 800 pessoas morreram ao atravessar desertos, rios e regiões remotas, enquanto migravam através das Américas. O dado tornou o ano de 2019 como o mais mortal de todos, revelou a Organização Internacional para as Migrações (OIM) na última terça (28).

Dados do Projeto de Migrantes Desaparecidos, coletados pelo Centro de Análise de Dados da OIM em Berlim, indicam que esse foi o maior número de mortes documentadas na região desde que a instituição começou a coletar dados, há seis anos.

: Menino brinca em abrigo apoiado pelo UNICEF em Tijuana, México, onde crianças migrantes recebem apoio psicossocial. Foto: Balam-ha Carrillo/UNICEF

: Menino brinca em abrigo apoiado pelo UNICEF em Tijuana, México, onde crianças migrantes recebem apoio psicossocial. Foto: Balam-ha Carrillo/UNICEF

No ano passado, mais de 800 pessoas morreram ao atravessar desertos, rios e regiões remotas, enquanto migravam através das Américas. O dado tornou o ano de 2019 como o mais mortal de todos, revelou a Organização Internacional para as Migrações (OIM) na última terça (28).

Dados do Projeto de Migrantes Desaparecidos, coletados pelo Centro de Análise de Dados da OIM em Berlim, indicam que esse foi o maior número de mortes documentadas na região desde que a instituição começou a coletar dados, há seis anos. Desde 2014, mais de 3.800 mortes foram registradas no continente americano.

“Esses números são um recado triste sobre a falta de opções para mobilidade segura e legal, que empurra pessoas para caminhos invisíveis e perigosos, as colocando em situações de grande perigo”, disse Frank Laczko, diretor do Centro de Análise de Dados da OIM. “A perda de vidas nunca deve ser normalizada ou tolerada como um risco assumido de migração irregular”, completou.

A região que na fronteira do México com os Estados Unidos é uma das mais mortais para os migrantes, com o número de mortes crescendo a cada ano. O Projeto de Migrantes Desaparecidos já documentou 2.403 mortes na região desde 2014, incluindo 497 em 2019.

A maior parte das mortes são registradas nas águas do Rio Bravo, também chamado de Rio Grande, que corre ao longo da fronteira do estado do Texas com os estados mexicanos de Tamaulipas, Nuevo León e Coahuila, e onde 109 pessoas perderam suas vidas no ano passado.

Esses dados representam um aumento de 26% nas mortes documentadas em 2018, que chegaram a 86.

Muitas pessoas também tentam cruzar os regiões remotas e acidentadas no deserto do Arizona, onde pelo menos 171 pessoas morreram em 2019 – um aumento de 29% das 133 mortes registradas na área em 2018.

Os dados do Projeto são compilados pela equipe da OIM, com base no Centro de Análise de Dados de Migração Global, mas também provêm de outras fontes, sendo algumas não oficiais.

Estados Unidos – Em novembro, a OIM divulgou uma estimativa de que, em 2019, cerca de 270 milhões de migrantes estavam cruzando fronteiras internacionais e, para cerca de 51 milhões, os Estados Unidos é considerado o destino mais desejado.

Noticiários têm mostrado cenas de pessoas desesperadas em busca de asilo, ao ponto de abandonarem seus filhos nas fronteiras com a esperança de que pudessem ter uma vida melhor. Alguns pais chegam a enviar seus filhos desacompanhados através das fronteiras para se renderem a agentes dos EUA.