Estudo aborda integração de objetivos globais nas estratégias das empresas

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A Rede Brasil do Pacto Global lançou no início de abril (6) durante evento em São Paulo um estudo sobre como integrar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) às estratégias empresariais.

O material é inédito para o caso específico de um país, e busca promover a nova agenda de desenvolvimento no Brasil, com ênfase no engajamento e a sensibilização das lideranças empresariais.

Especialistas afirmaram em evento em São Paulo que o setor privado é peça-chave para o alcance dos ODS. Foto: Rede Brasil do Pacto Global/Fellipe Abreu

Especialistas afirmaram em evento em São Paulo que o setor privado é peça-chave para o alcance dos ODS. Foto: Rede Brasil do Pacto Global/Fellipe Abreu

A Rede Brasil do Pacto Global lançou no início de abril (6) em São Paulo um estudo sobre como ntegrar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) às estratégias empresariais.

O estudo “Integração dos ODS na Estratégia Empresarial — Uma Contribuição do Comitê Brasileiro do Pacto Global para a Agenda 2030” foi idealizado pelo Grupo Temático que trabalha os objetivos globais no Pacto Global.

O material é inédito para o caso específico de um país, e busca promover a nova agenda de desenvolvimento no Brasil, com ênfase no engajamento e a sensibilização das lideranças empresariais. O evento de lançamento, ocorrido na sede do banco Itaú Unibanco, teve a participação de mais de 250 pessoas presencialmente e on-line.

Para Denise Hills, vice-presidente e coordenadora do GT ODS da Rede Brasil do Pacto Global e superintendente de sustentabilidade e negócios inclusivos do Itaú Unibanco, o setor privado é essencial para os novos padrões de desenvolvimento sustentável.

“O GT reconhece as dificuldades de se adaptar os ODS internamente, a mudança não é fácil. Mas todo o nosso trabalho é feito para que empresas cortem caminho. Trata-se de uma agenda de vanguarda, cada vez mais presente nas empresas e com o engajamento de mais lideranças, o que é essencial”, afirmou.

O estudo tem o propósito de conhecer os esforços e os desafios que as 21 empresas do Comitê Brasileiro do Pacto Global — um grupo de empresas e organizações responsáveis pela gestão da Rede Brasil — têm frente à implementação dos 17 ODS.

Além disso, a pesquisa identificou o estágio que as empresas estão dentro dos cinco passos recomendados pelo SDG Compass — o Guia dos ODS para Empresas, lançado em 2015 pelo UN Global Compact, World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) e pela Global Reporting Initiative (GRI). A versão em português do documento foi produzida por Rede Brasil do Pacto Global, Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e GRI.

Os dados do levantamento mostraram que 42,9% das empresas já estão no segundo passo do guia e mais da metade delas, 52,4%, já se comprometeram publicamente com os ODS. A pesquisa, que contou com o trabalho da DNV-GL e da Report, foi realizada entre agosto de 2016 e fevereiro de 2017 em quatro etapas: coleta de dados, validação, análise e relatório final.

Entre os resultados, chama atenção a motivação das organizações para trabalhar com os ODS. Segundo a pesquisa, fortalecer as relações com os atores de mercado por meio de uma linguagem comum e criar novas oportunidades de negócios são os principais atrativos para a inserção da Agenda 2030 nas estratégias empresariais.

Mito

Adriano Duarte, presidente da empresa Business Assurance Unit DNV-GL, foi taxativo em relação à responsabilidade do setor privado. “É um mito achar que o alcance dos ODS seja uma tarefa exclusiva dos governos. Com as iniciativas que nós temos hoje, não será possível alcançá-los, e algo precisa ser feito”, disse.

O evento teve duas mesas de debates sobre “Motivação de trabalhar com os ODS e os desafios da sua integração na estratégia empresarial” e “Avaliação de impacto identificação dos ODS mais relevantes”.

Além disso, foi lançada a iniciativa “Integração dos ODS no Setor Elétrico Brasileiro”. Integrante do Grupo de Trabalho da ONU de Direitos Humanos e Empresas, Dante Pesce explicou que antes tendo atuação acessória, o setor privado passou a fazer parte das soluções para se atingir os objetivos globais.

“Os ODS fazem com que as empresas se coloquem numa perspectiva preventiva. Ou seja, antes de fazer algo positivo, deixar de criar impactos negativos, evitando um comportamento incoerente. Por isso que mecanismos como o Due Diligence são muito importantes”, disse. Segundo o especialista, apenas 2% das empresas estão envolvidas nas ações do Pacto Global, frisando que o desafio está em sensibilizar as demais.

Para Aron Belinky, coordenador do Programa de Produção e Consumo Sustentáveis do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces), mostrou que os 17 ODS estão divididos em três principais áreas — biosfera, sociedade e economia —, o que deixa clara a noção de integração.

“Todos os ODS são interligados, só é preciso que cada empresa ache a sua porta de entrada”, comentou.

Sobrevivência no mercado

Segundo o coordenador-geral de Energia e Sustentabilidade substituto do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Demetrio Filho, nos últimos 15 anos, houve uma mudança positiva de engajamento, enquanto as empresas começaram a entender que a sustentabilidade é existencial.

“E para o setor público, o ODS 17, que enfoca as parcerias e meios de implementação, é desafiador em particular. Ele propõe mudanças de comportamento que, apesar de difíceis, são possíveis”, acrescentou.

Por fim, foi lançada a iniciativa “Integração dos ODS no Setor Elétrico Brasileiro”, em parceria com a CPFL Energia e Enel e apoio técnico da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da Universidade de São Paulo (USP).

O gerente de sustentabilidade da CPFL, Carlo Pereira, a responsável pela área de Planejamento de Sustentabilidade e Gestão de Stakeholders da Enel no Brasil, Ana Paula Caporal, e a professora da USP Adriana Caldanha apresentaram o projeto que foca a inserção dos ODS na estratégia dos negócios do setor elétrico, um exemplo de parceria e engajamento de empresas e organizações de um mesmo setor.


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