Estudantes de medicina participam de formação sobre saúde sexual e reprodutiva

Em Brasília, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) promoveu no final de semana um treinamento sobre saúde sexual e reprodutiva para 20 estudantes de Medicina, vindos de todas as regiões do país. Iniciativa teve por objetivo formar lideranças com conhecimentos em direitos, capazes de respeitar a individuatividade dos pacientes e de suas demandas.

Vinte estudantes de Medicina de todas as regiões do país participaram do workshop do UNFPA em Brasília. Foto: UNFPA Brasil/Paola Bello

Vinte estudantes de Medicina de todas as regiões do país participaram do workshop do UNFPA em Brasília. Foto: UNFPA Brasil/Paola Bello

Em Brasília, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) promoveu no final de semana um treinamento sobre saúde sexual e reprodutiva para 20 estudantes de Medicina, vindos de todas as regiões do país. Iniciativa teve por objetivo formar lideranças com conhecimentos em direitos, capazes de respeitar a individuatividade dos pacientes e de suas demandas. Workshop foi promovido em parceria com a Federação Internacional das Associações dos Estudantes de Medicina do Brasil (IFMSA Brazil).

“O UNFPA tem incentivado o aumento dos canais de informação e comunicação, de formação e mobilização da sociedade e de lideranças políticas para aumentar a defesa dos direitos das populações em situação de maior vulnerabilidade”, afirmou o representante da agência da ONU no Brasil, Jaime Nadal.

O I Workshop de Formação de Líderes em Saúde Sexual e Reprodutiva teve a participação de pesquisadores e especialistas da Universidade de Brasília (UnB), de representantes do Ministério da Saúde (MS), da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM) e do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), entre outras instituições.

Nadal enfatizou a necessidade de conscientizar as pessoas sobre contracepção e proteção.

“Temos que criar condições para que as novas gerações adquiram conhecimento que lhes permitam fazer escolhas voluntárias e que potencializem o desenvolvimento saudável e o cuidado consigo e com as pessoas com quem se relacionam. Para que possam buscar outros projetos de vida que não passe por uma gravidez precoce e não planejada ou qualquer condição que envolva a não garantia dos seus direitos sexuais e reprodutivos.”

A presidente da IFMSA Brazil, Maitê Gadelha, explicou que “cada estudante (participante do workshop) tem um plano de ação para desenvolver em suas comunidades, por isso, estão aqui para serem capacitados por organizações e profissionais líderes no tema da saúde sexual e reprodutiva”.

Com mais de 5 mil estudantes de mais de 130 escolas e universidades de Medicina no Brasil, a IFMSA Brazil busca ajudar alunos a desenvolver seu potencial para a inclusão social.

Pessoas em situação de vulnerabilidade

Durante o workshop, Gil Casimiro, coordenador de Prevenção e Articulação Social do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, HIV/Aids e Hepatites Virais, alertou que “temos populações com muita dificuldade de acesso às políticas públicas, em especial de saúde”.

“Temos hoje, por exemplo, um grande desafio frente aos números de infeção por HIV no Brasil, que aumenta entre jovens de 15 a 24 anos. E quando temos o recorte das populações mais vulneráveis, esse número é ainda maior. Eu vejo a esperança em vocês, futuros profissionais de medicina, para que tenham esse olhar diferenciado, atendendo às pessoas segundo suas especificidades”, acrescentou o especialista, que trabalha para o Ministério da Saúde.

Segundo Casimiro, as pessoas “sem saúde, acabam sem outras questões básicas para garantia de uma cidadania plena”.

A diretora do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas (DAPES), também da pasta federal, Thereza de Lamare, ressaltou que “a saúde sexual e reprodutiva tem questões relacionadas com o modo de vida em sociedade, nossas concepções e como o Estado e os governos precisam cuidar da integridade dos direitos humanos, dos direitos básicos do ser humano”.

Marcia Sakai, diretora da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM), lembrou que “o Brasil é um país extremamente extenso geograficamente, com uma distribuição heterogênea” — o que traz complicações para a saúde pública.

“Sempre que falamos de ações de saúde e de educação, temos que lidar com isso em escala maior. Esse é o desafio que temos para impactar a saúde da população brasileira. E a nossa meta é oferecer a saúde para todas as pessoas. Por isso, a importância dessa parceria.”

Na avaliação de Daphne Ratter, professora de Epidemiologia da UnB, a capacitação foi importante para fomentar novos saberes entre os futuros médicos.

“Os estudantes estão em fase de aprendizagem e têm grande abertura pra novos conhecimentos, novas perspectivas e novas abordagens. Se nós conseguirmos lhes trazer novos conhecimentos, que gerem atitudes propositivas, construtivas e respeitosas aos direitos sexuais e reprodutivos, certamente vamos influenciar as futuras práticas profissionais”, afirmou a docente.

Ao longo dos dois dias, os estudantes participaram de palestras e debates sobre dinâmicas populacionais, planejamento familiar, violência obstétrica, direitos sexuais e reprodutivos e métodos anticoncepcionais disponíveis no SUS. Também foram discutidas as dificuldades de implementação da saúde sexual e reprodutiva na educação médica no Brasil. Outras pautas incluíram as estratégias de saúde pública na prevenção do HIV/Aids, zero discriminação no atendimento e particularidades dos migrantes, pessoas jovens e população transexual.

Todos os alunos foram selecionados em ampla concorrência, em edital publicado pela IFMSA Brasil. Um dos requisitos para a seleção foi a apresentação de um plano de ação, que deverá ser realizado pela pessoa ao retornar à universidade, como forma de disseminação do conhecimento adquirido.