Estigma e discriminação ainda persistem contra pessoas que vivem com HIV, diz OIT

Embora o progresso no tratamento daqueles que vivem com o HIV tenha permitido que essas pessoas trabalhem, elas continuam a enfrentar discriminação ao longo de suas carreiras, de acordo com estudo realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Na Jamaica, iniciativa do UNICEF apoia mulheres e crianças vivendo com HIV. Foto: UNICEF/Daniele Volpe

Na Jamaica, iniciativa do UNICEF apoia mulheres e crianças vivendo com HIV. Foto: UNICEF/Daniele Volpe

Embora o progresso no tratamento daqueles que vivem com o HIV tenha permitido que elas trabalhem, pessoas soropositivas continuam a enfrentar discriminação ao longo de suas carreiras, de acordo com um estudo realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A partir de 13 pesquisas de equipes nacionais em todo o mundo, o relatório “Estigma e discriminação por HIV no mundo do trabalho”, da OIT, baseia-se em entrevistas com mais de 100 mil pessoas que vivem com o vírus.

“É triste ver que, apesar de anos de trabalho, o estigma e a discriminação ainda persistem”, disse Shauna Olney, chefe do departamento da OIT que lida com gênero, igualdade, diversidade e AIDS, em Amsterdã durante o lançamento do estudo.

“Mas o tratamento por si só não é suficiente. Devemos trabalhar mais para reduzir o estigma e a discriminação das pessoas que vivem com o HIV nos locais de trabalho. Elas têm o direito de trabalhar e ninguém as deve negar isso”, acrescentou Olney.

O estudo foi coescrito com a Rede Global de Pessoas que Vivem com o HIV e lançado durante a Conferência Internacional de AIDS deste ano, o maior evento do mundo sobre questões globais de saúde ou desenvolvimento, realizado a cada dois anos.

Segundo o estudo, dez em cada 13 países registraram uma taxa de desemprego de 30% ou mais para as pessoas vivendo com HIV, com uma taxa ainda maior entre os jovens.

Além disso, mulheres que vivem com o HIV têm menor probabilidade de estar empregadas do que os homens por causa de responsabilidades de cuidado não remuneradas e falta de independência financeira.

O desemprego entre indivíduos transexuais soropositivos continua elevado em todos os países.

Escondendo o HIV

Outra descoberta importante da pesquisa é o modo como o fato de viver com HIV pode custar a perda de um emprego – muitas vezes devido à discriminação de empregadores ou colegas de trabalho.

“Quando informações sobre meu status de [HIV] chegaram ao meu gerente, ele me chamou para seu escritório”, disse ao relatório um indivíduo que enfrenta discriminação. “Primeiro ele me disse que eu estava trabalhando mal – fazendo muito pouco trabalho. Então ele me pediu para apresentar minha demissão, sem qualquer explicação séria – como se eu estivesse saindo voluntariamente.”

Como resultado, muitos hesitam em revelar viver com HIV para os empregadores ou mesmo para os colegas de trabalho. Um testemunho de Camarões, na África Ocidental, demonstra a extensão do problema de acesso ao emprego.

“Fui buscar minha carta de nomeação e fui informado que tinha que passar por um exame médico. Eu já conhecia meu status sorológico, e comuniquei à diretora de recursos humanos. Ela afirmou que eu deveria fazer um exame, que confirmou o HIV positivo. Isso marcou o fim do processo para conseguir o emprego, já que eles não me recrutaram, apesar de eu ter passado na entrevista”, contou um entrevistado anônimo.

A discriminação relacionada ao HIV continua sendo uma das principais causas para que indivíduos soropositivos deixem de receber ofertas ou promoções de emprego.

“O que este relatório mostra é que ainda temos um longo caminho a percorrer em nossos esforços para combater o estigma e a discriminação no local de trabalho contra as pessoas que vivem com o HIV”, afirmou Sasha Volgina, Gerente do Programa GNP+.

“O acesso aos cuidados de saúde e ao emprego estão indissociavelmente ligados e, como tal, um compromisso significativo para conter a epidemia e assegurar o bem-estar de todas as pessoas que vivem com o HIV, não pode ser cumprido sem priorizar o estigma do HIV no local de trabalho.”