Estereótipos de gênero sobrecarregam mães e desvalorizam pais, diz Anne Hathaway

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Em sua primeira aparição oficial como embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres, a atriz Anne Hathaway convocou países e empresas na quarta-feira (8) — Dia Internacional das Mulheres — a implementar políticas de licença trabalhista remunerada tanto para mães quanto para pais de crianças recém-nascidas.

Para a artista, políticas no local de trabalho não devem perpetuar desigualdades e estereótipos de gênero.

Em sua primeira aparição oficial como embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres, a atriz Anne Hathaway convocou países e empresas na quarta-feira (8) — Dia Internacional das Mulheres — a implementar políticas de licença trabalhista remunerada tanto para mães quanto para pais de crianças recém-nascidas. Apenas 66 Estados-membros possuem disposições legislativas sobre licença parental.

Em discurso durante as celebrações da data na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, a artista ressaltou que os Estados Unidos são o único país desenvolvido do mundo onde não há licença maternidade paga — o que leva uma em cada quatro mães norte-americanas a voltar ao emprego apenas duas semanas após dar à luz.

A lei determina que as mulheres podem se ausentar do trabalho por até três meses, mas não prevê remuneração para o período.

“Igualmente perturbador é o caso de mulheres que podem ficar sem receber e tirar todas as 12 semanas de licença, mas frequentemente não o fazem porque isso significará receber uma ‘penalidade pela maternidade’. Quer dizer, elas serão vistas como menos dedicadas ao trabalho e vão ser preteridas em caso de promoções ou qualquer outra progressão de carreira”, afirmou Anne.

Para libertar as
mulheres, precisamos
libertar os homens.

A atriz lembrou da própria história pessoal no pronunciamento. Para cuidar dela e dos irmãos, sua mãe saiu do mercado, ficando sem remuneração e também sem reconhecimento pelo trabalho desempenhado como dona de casa. Isso porque não havia qualquer apoio para que ela seguisse e equilibrasse as duas opções de vida. Coube ao pai de Annne ser o provedor da família, o que restringiu o tempo que ele passava com os filhos.

“A suposição e a prática comum de que mulheres e meninas devem cuidar da casa e da família constituem um estereótipo persistente e bastante real que não apenas discrimina as mulheres, mas também limita a participação e a conexão dos homens com a família e a sociedade”, alertou a embaixadora da ONU Mulheres.

A atriz, que assumiu o cargo em junho de 2016, foi incumbida pela ONU Mulheres da defesa da licença parental para pais e mães.

A licença-maternidade, ou qualquer outra
política no local de trabalho baseada em
gênero, só pode ser nesse momento histórico
uma faca de dois gumes.

“Quanto mais eu me aprofundava na questão da licença parental, mais claramente eu via a conexão entre as barreiras à igualdade e ao empoderamento das mulheres e a necessidade de redefinir e acabar com os estigmas a respeito dos homens que se dedicam a cuidar da família”, apontou a artista. “Em outras palavras, para libertar as mulheres, precisamos libertar os homens.”

Anne enfatizou que a licença parental “não é para tirar folgas do trabalho”. “Trata-se de criar a liberdade para definir papeis, para escolher como investir o tempo e para estabelecer novos e positivos ciclos de comportamento.”

Um estudo na Suécia revelou que, para cada mês de licença-paternidade concedido a um pai, a renda da mãe aumentava 6,7%. “Por que continuamos a menosprezar pais e a sobrecarregar mães”?, questionou Anne.

“A licença-maternidade, ou qualquer outra política no local de trabalho baseada em gênero, só pode ser nesse momento histórico uma faca de dois gumes. Embora tenha sido criada para melhorar a vida das mulheres, sabemos agora que ela cria uma percepção das mulheres como pessoas inconvenientes para o local de trabalho. Sabemos agora que ela acorrenta os homens a um caminho emocionalmente limitado.”

A atriz acrescentou ainda que esse tipo de política não é mais adequada à realidade atual e aos novos tipos de família. “Porque no mundo moderno, algumas famílias têm dois pais. Como exatamente a licença-maternidade vai atendê-los?”, afirmou.

Pedindo à comunidade internacional um compromisso com a criação de mundo “onde homens e mulheres não sejam punidos economicamente por quererem ter filhos”, Anne concluiu o pronunciamento dizendo que, para além das ideias de que homens e mulheres são diferentes, “há uma verdade mais profunda, de que amor é amor, e família é família”.


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