Estados Unidos expandem programa de reassentamento para refugiados da América Central, destaca ACNUR

Migrante salvadorenha atravessa o México rumo aos Estados Unidos. Foto: ACNUR/M. Redondo

Nesta quinta-feira (14), o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) chamou a atenção para a expansão, recém-anunciada pelos Estados Unidos, do programa norte-americano de reassentamento de pessoas que estão fugindo da violência em El Salvador, em Honduras e na Guatemala. De acordo com o governo estado-unidense, apenas nos últimos anos, o país recebeu 65 mil pedidos de asilo de cidadãos dessas nações da América Central.

Para o ACNUR, a decisão dos Estados Unidos destaca a necessidade urgente de ações regionais coordenadas, capazes de lidar com a situação dos refugiados centro-americanos.

“Há uma crise de proteção na região. Muitas pessoas enfrentam níveis alarmantes de violência de grupos criminosos armados, gangues transnacionais, (esses países) têm a taxa mais alta de assassinatos de mulheres do mundo. Há desaparecimentos, assaltos, estupros…e diante desta situação, as pessoas estão fugindo e os governos regionais devem responder às necessidades desesperadas de segurança e proteção delas”, afirmou o porta-voz do ACNUR em Washington, Brian Hansford.

Como parte da ampliação do programa de reassentamento, o Departamento de Estado norte-americano solicitou ao ACNUR que determine quem deve ser encaminhado, como refugiado, ao país. Apesar das competências atribuídas à agência da ONU, o governo estado-unidense terá a última palavra a respeito da aceitação ou não das pessoas deslocadas.

Embora a iniciativa seja um avanço na busca por alternativas seguras e legais para o ingresso de centro-americanos nos Estados Unidos, Hansford ressaltou que a recusa de indivíduos na fronteira estado-unidense e seu retorno aos países de origem devem ser realizados de forma segura e respeitosa.

Segundo o representante do ACNUR, ainda que os países tenham a prerrogativa de administrar a segurança de seus territórios, a volta de pessoas consideradas não aptas a obter proteção internacional só deve ser determinada após o processamento correto de suas solicitações. O porta-voz da agência da ONU expressou preocupação com o retorno de crianças desacompanhadas.