Especialistas fazem debate online sobre papel da mídia na cobertura sobre a aids

Com participação do UNAIDS e às vésperas do Dia Mundial de Luta contra a Aids, Portal Imprensa mobilizou especialistas para a segunda edição do Fórum AIDS e o Brasil.

Imagem: Portal Imprensa/divulgação

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Às vésperas do Dia Mundial de Luta contra a Aids (01), o Portal Imprensa mobilizou especialistas em comunicação, saúde, educação e organizações internacionais e não governamentais para realizar nesta quinta-feira (27) a segunda edição do Fórum AIDS e o Brasil. Segundo os organizadores do Fórum, os vídeos com os três blocos de debate estarão disponíveis em breve no Portal Imprensa.

Fruto de uma parceria com a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e o Ministério da Saúde, o evento foi transmitido ao vivo pela internet e contou com participação dos internautas que enviaram perguntas pelo chat. Ao longo de três blocos, o público teve a oportunidade de aprender mais sobre os temas: controle da aids pela ação e educação; mídia como plataforma de informação sobre o HIV; e mobilização da sociedade civil no combate à aids.

“O Brasil tem um desafio muito grande pelo tamanho e complexidade do país. De um lado tem uma resposta médica fantástica, excelente, com testes sanguíneos e orais fabricados no Brasil distribuídos pelo SUS e ONGS, mas ao mesmo tempo existe muita discriminação”, disse Georgiana Braga-Orillard, diretora do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) no Brasil. “Apesar de o sistema estar pronto, muita gente está morrendo sem saber que tem o vírus. A mídia tem um papel importante a cumprir”, afirma.

Segundo Georgiana, os dados mais recentes que mostraram aumento de óbitos no Brasil precisam ser analisados por duas perspectivas: em parte porque as pessoas que se tratam há muito tempo estão morrendo, mas também, principalmente, porque elas não estão se tratando a tempo.

Uma das soluções para reduzir estes óbitos, segundo ela, é o trabalho em conjunto da sociedade civil com a mídia para trazer o tema ao debate, partindo, por exemplo, das novidades que podem ajudar no diagnóstico e tratamento da doença.

O painel ‘Mobilização da sociedade civil no combate à Aids’ encerrou o 2º Fórum AIDS e o Brasil, abordando casos de engajamento social que demonstram o potencial e a responsabilidade de cada um na luta contra o vírus. Além de Georgiana, participaram também Pedro Furtado, roteirista do filme “Boa Sorte”, da Conspiração Filmes, e Valdir Cimino, presidente da Associação Viva e Deixe Viver.

Para Cimino, uma das principais falhas da imprensa no processo de evitar uma epidemia é não falar da doença constantemente. “A mídia presta um desserviço quando ela não olha esses assuntos que são muito importantes para a sociedade. A mídia tem que encontrar meios e criar artimanhas para impactar e sensibilizar o público.”

Ainda segundo ele, é preciso trabalhar com as famílias e outros grupos da sociedade para trazer o tema à luz e falar dele abertamente. “Nos hospitais, às vezes, vemos crianças que estão lá fazendo o tratamento e não sabem o quê e nem por que estão passando por isso. Temos literatura, manuais e muitos outros recursos, mas existem os conflitos, os paradigmas da sociedade, da família em não falar”, explica.

Roteirista do filme “Boa Sorte”, que teve sua estreia nacional no dia 27 de novembro, falou sobre a protagonista da trama, vivida pela atriz Debora Secco, que é uma personagem vivendo com HIV. Pedro Furtado destacou o papel da ficção abordar o tema, aproximando o assunto das pessoas.

“Apesar de ter uma personagem com HIV, o filme tem outros elementos, o HIV é só mais um deles. O jovem tem milhões de interesses e se esse assunto estiver misturado com outros, naturalmente vai entrar. Outra coisa importante são as pessoas que dão depoimento, mostram a cara. Estatísticas às vezes ficam muito distantes.”