Especialistas em direitos humanos vão investigar assassinato de mulheres e crianças no Mali

Um ataque em Koulogon Peul, cidade no centro do território malês, deixou pelo menos 37 civis mortos no primeiro dia de 2019. Mulheres e crianças estão entre as vítimas, segundo a Missão de Paz da ONU no Mali (MINUSMA), que anunciou na quinta-feira (3) que o crime será investigado com a ajuda de especialistas das Nações Unidas em direitos humanos.

Forças de paz da ONU promovem atividades de assistência e segurança em comunidade da região de Mopti. Foto: MINUSMA/Gema Cortes

Forças de paz da ONU promovem atividades de assistência e segurança em comunidade da região de Mopti. Foto: MINUSMA/Gema Cortes

Um ataque em Koulogon Peul, cidade no centro do território malês, deixou pelo menos 37 civis mortos no primeiro dia de 2019. Mulheres e crianças estão entre as vítimas, segundo a Missão de Paz da ONU no Mali (MINUSMA), que anunciou na quinta-feira (3) que o crime será investigado com a ajuda de especialistas das Nações Unidas em direitos humanos.

A missão cobrou justiça para os cidadãos, cujos assassinatos acontecem em meio a crescentes confrontos intercomunitários, alimentados por disputas de décadas sobre questões de terra e gado. Conflitos envolvem pastores em toda a região do Sahel e também grupos extremistas armados.

De acordo com a MINUSMA, às 5h da manhã de 1º de janeiro, criminosos armados chegaram a Koulogon Peul e atacaram os moradores. Além dos mortos e feridos, o grupo deixou um rastro de destruição nas estruturas de casas e celeiros, propositalmente, segundo a missão da ONU. A instituição informa ainda que os homens vestiam roupas de caça tradicionais, associadas ao povo Dozos.

A vice-representante especial da missão, Joanne Adamson, pediu que “os autores (do crime) sejam responsabilizados” e disse que torna-se cada vez mais importante pôr um fim à violência nas regiões de Mopti, onde fica a aldeia atacada, e Segou. “Precisamos intensificar nossos esforços para encontrar soluções políticas e jurídicas”, enfatizou a dirigente.

A MINUSMA elogiou o rápido envio de tropas ao local do ataque, bem como a decisão de abertura de um inquérito policial. O organismo também afirmou que enviará nos próximos dias uma equipe de direitos humanos, a fim de apoiar a ação das autoridades.

“Esse trabalho tornará possível realizar uma investigação na zona em que o ataque aconteceu”, explicou um comunicado da missão, que acrescentava ainda que os especialistas ajudariam na coleta de provas e no esclarecimento das razões para os homicídios.

O episódio de violência é o mais recente envolvendo milícias que praticam “autodefesa” e grupos armados no Mali, país cuja região norte foi tomada por extremistas em 2012. Embora militares franceses tenham conseguido expulsá-los, os jihadistas mantiveram seu apoio em comunidades no norte e no centro do território, causando uma deterioração significativa da situação humanitária ao longo dos últimos 12 meses.

Em torno de 7,2 milhões de pessoas, espalhadas pelos 50 distritos administrativos do país, foram afetadas pela insegurança, secas e enchentes. Desse contingente, 3,2 milhões precisam de assistência humanitária, na avaliação do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Quatro regiões têm níveis agudos de malnutrição, acima do limite de alerta de 10% – Gao, Menaka, Segou e Timbuktu.

Para que a conjuntura melhore no Mali, a implementação efetiva do acordo de paz no norte precisa acontecer, aponta o OCHA em seu Panorama Humanitário Global de 2019. O documento também indica outras medidas importantes, como a restauração da lei e de serviços básicos por todo o país e a proteção de civis pelas forças nacionais e internacionais.


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