Especialistas da ONU pedem solidariedade com africanos afetados pelo Ciclone Idai

Especialistas em direitos humanos da ONU chamaram países, organizações internacionais, empresas e indivíduos a mostrar solidariedade com os países do Sul da África atingidos pelo Ciclone Idai. Tempestade deixou mais de 700 mortos, outras centenas de milhares desabrigados e provocou danos de bilhões de dólares em Moçambique, Malauí e Zimbábue.

Família moçambicana abrigada em escola após a passagem do ciclone Idai. Foto: UNICEF/De Wet

Família moçambicana abrigada em escola após a passagem do ciclone Idai. Foto: UNICEF/De Wet

Especialistas em direitos humanos da ONU chamaram países, organizações internacionais, empresas e indivíduos a mostrar solidariedade com os países do Sul da África atingidos pelo Ciclone Idai. Tempestade deixou mais de 700 mortos, outras centenas de milhares desabrigados e provocou danos de bilhões de dólares em Moçambique, Malauí e Zimbábue.

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (1º), relatores da ONU lembram que cetenas de pessoas continuam desaparecidas. Mais de 3 milhões de indivíduos foram afetados de alguma forma pelo ciclone no período de 9 a 21 de março.

Os especialistas estimam que o Idai foi o ciclone tropical mais custoso a atingir a bacia sudoeste do Oceano Índico, incluindo em termos de impactos negativos para o exercício dos direitos humanos. “Ventos fortes e enchentes generalizadas destruíram estradas, pontes, casas, escolas e instalações de saúde e submergiram vastas extensões de terras agrícolas”, disseram os relatores da ONU.

“Embora a maioria dos níveis dos rios já tenha chegado agora ao pico, enchentes permanecem severas e a escala completa do desastre ainda tem que ficar clara, conforme as operações de busca e resgate continuam. Com pouca água limpa e potável disponível, casos de cólera foram relatados e há um alto risco de surtos de outras doenças transmissíveis pela água.”

Os relatores acrescentaram que “a magnitude dessa catástrofe manda um recado claro de que muito mais precisa ser feito em termos de planejamento de desastre, preparação para emergências e adaptação climática”. O pronunciamento lembra que evidências científicas sugerem que esses tipos de fenômeno vão se tornar mais frequentes e mais severos no futuro.

“Em linha com a Carta da ONU, a proposta de Declaração da ONU sobre Direitos Humanos e Solidariedade Internacional e outros tratados e instrumentos globais e regionais, chamamos Estados, organizações internacionais, sociedade civil e indivíduos e companhias privados a mostrar solidariedade para com os países, comunidades, famílias e indivíduos afetados”, disseram os especialistas.

“Os países afetados precisam de ajuda para apoiar os numerosos esforços empreendidos por organizações da sociedade civil, incluindo por agências de emergências em desastres, para levar conforto e alívio aos afetados pela devastação causada por esse ciclone.”

O comunicado foi assinado por Obiora C. Okafor, especialista independente sobre direitos humanos e solidariedade internacional; Cecilia Jimenez-Damary, relatora especial sobre os direitos humanos das pessoas internamente deslocadas; Léo Heller, relator especial sobre os direitos humanos a água potável e saneamento; David. R. Boyd, relator especial sobre direitos humanos e meio ambiente; Saad Alfarargi, relator especial sobre o direito ao desenvolvimento; Dainius Pῡras, relator especial sobre o direito à saúde física e menta; Rosa Kornfeld-Matte, especialista independente sobre o exercício de todos os direitos humanos pelas pessoas idosas; Livingstone Sewanyana, especialista independente sobre a promoção de uma ordem internacional democrática e igualitária.