Especialistas da ONU pedem que direitos humanos estejam presentes nos debates de Davos

Enquanto líderes globais se reúnem em Davos para o Fórum Econômico Mundial, especialistas das Nações Unidas enfatizaram a importância essencial dos direitos humanos para o tema central do evento, a “Globalização 4.0: Moldando uma Nova Arquitetura na Era da Quarta Revolução Industrial”.

“Os líderes empresariais e políticos em Davos devem garantir que a Quarta Revolução Industrial trabalhe para os indivíduos e comunidades mais desfavorecidos ou marginalizados, em vez de meramente para os ricos e poderosos. Isso só será possível se os esforços para reformular a globalização forem construídos sobre a base dos direitos humanos para todos”, disse Surya Deva, presidente do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos.

Vista aérea de Davos, na Suíça. Foto: Fórum Econômico Mundial/Andy Mettler

Vista aérea de Davos, na Suíça. Foto: Fórum Econômico Mundial/Andy Mettler

Enquanto líderes globais se reúnem em Davos para o Fórum Econômico Mundial, especialistas das Nações Unidas enfatizaram a importância essencial dos direitos humanos para o tema central do evento, a “Globalização 4.0: Moldando uma Nova Arquitetura na Era da Quarta Revolução Industrial”.

“Os líderes empresariais e políticos em Davos devem garantir que a Quarta Revolução Industrial trabalhe para os indivíduos e comunidades mais desfavorecidos ou marginalizados, em vez de meramente para os ricos e poderosos. Isso só será possível se os esforços para reformular a globalização forem construídos sobre a base dos direitos humanos para todos”, disse Surya Deva, presidente do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos.

“Estamos preocupados com o fato de que a responsabilidade de todas as empresas em respeitar os direitos humanos em todas as suas operações parece estar ausente das discussões em Davos sobre como reformular a globalização. A menos que este elemento seja totalmente integrado, a ‘Globalização 4.0’ irá repetir as falhas de suas versões anteriores”, acrescentou Deva.

Os especialistas pediram aos governos e líderes empresariais que trabalhem juntos para aproveitar o potencial das novas tecnologias para alcançar um desenvolvimento sustentável e inclusivo.

Eles lembraram que o respeito das empresas aos direitos humanos é fundamental para que a globalização funcione para todos, e disseram que já existem diretrizes para que isso seja feito, como as definidas nos “Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos (em inglês)“.

Salientaram também que um número crescente de empresas está mostrando como respeitar os direitos humanos na prática, realizando “due diligence” no tema e estabelecendo mecanismos de remediação, enquanto os governos e investidores estão começando a desempenhar um papel mais ativo no incentivo à conduta empresarial responsável.

Segundo os relatores da ONU, uma conduta comercial responsável que evite violações é, por si só, uma contribuição importante para o desenvolvimento sustentável.

O Grupo de Trabalho da ONU sobre direitos humanos e corporações transnacionais e outras empresas (conhecido como Grupo de Trabalho sobre Empresas e Direitos Humanos) foi estabelecido pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em junho de 2011 para promover a disseminação e a implementação mundial dos “Princípios Orientadores sobre Empresas e Direitos Humanos”.

O grupo também orienta e preside o Fórum Anual das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos. É composto por cinco especialistas independentes, de representação geográfica equilibrada. Seus membros atuais são: Surya Deva (presidente), Elżbieta Karska (vice-presidente), Githu Muigai, Dante Pesce, e Anita Ramasastry.

A iniciativa é parte do que é conhecido como Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Os Procedimentos Especiais, maior corpo de especialistas independentes no sistema de direitos humanos das Nações Unidas, é o nome geral dos mecanismos independentes de investigação e monitoramento do Conselho, que abordam situações específicas de países ou temáticas em todas as partes do mundo.