Especialistas da ONU pedem que autoridades chinesas investiguem morte de ativista

Além de ter sido presa arbitrariamente, relatores da ONU receberam a informação de que teria sido negada assistência médica à ativista Cao Sun Ly Shunli, que morreu na última sexta-feira (14).

Conselho de Direitos Humanos da ONU. Foto: ONU/Pierre Albouy

Conselho de Direitos Humanos da ONU. Foto: ONU/Pierre Albouy

Um grupo de peritos independentes das Nações Unidas pediu nesta terça-feira (18) às autoridades chinesas para investigar prontamente as circunstâncias que levaram à morte do proeminente ativista de direitos humanos Cao Sun Ly Shunli, que morreu no hospital no último dia 14 de março.

De acordo com um comunicado de imprensa emitido pelos peritos, Cao estava promovendo incansavelmente uma campanha desde 2008 por transparência e maior participação da sociedade civil na revisão periódica de direitos humanos da China por parte do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

No dia 14 de setembro de 2013, Cao foi impedida pelas autoridades chinesas de embarcar em um voo de Pequim para Genebra, onde iria participar de um seminário de direitos humanos no contexto da revisão. A Revisão Periódica Universal (RPU) é um processo único que inclui uma revisão da situação dos direitos humanos dos 193 Estados-membros da ONU a cada quatro anos.

Seu paradeiro era desconhecido até que foi acusada do “crime de provocação”, observaram os especialistas, que estão encarregados pelo Conselho de relatar sobre diversas questões de direitos humanos. Sua saúde deteriorou-se enquanto ela estava na prisão. A ativista foi transferida para o hospital em estado crítico no dia 19 de fevereiro de 2014.

“O desaparecimento forçado de Cao, sua detenção arbitrária, a sua saúde debilitada e o fato de ter sido negada assistência médica a ela foram levados ao conhecimento dos especialistas da ONU, que transmitiram apelos urgentes para a China”, afirmam os especialistas, que exortaram as autoridades chinesas a investigar prontamente as circunstâncias que levaram à morte da ativista.

“A morte de Cao é um trágico exemplo dos resultados da criminalização das atividades dos defensores de direitos humanos na China, bem como represálias contra eles. É inaceitável que os ativistas da sociedade civil paguem o preço final para a interação pacífica e legítima com as Nações Unidas e seus mecanismos de direitos humanos”, disseram os especialistas.

O comunicado foi emitido pelos relatores especiais sobre a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes; sobre o direito à liberdade de reunião e associação pacíficas; sobre o direito à liberdade de opinião e de expressão; sobre a situação dos defensores dos direitos humanos; e sobre o direito ao mais alto nível possível de saúde física e mental; bem como pelos Grupos de Trabalho sobre Desaparecimentos Forçados ou Involuntários; e sobre Detenção Arbitrária.