Especialista independente da ONU alerta crescente hostilidade na Península Coreana

“O recente aumento da retórica de conflitos está agravando desafios já críticos de direitos humanos na Coreia do Norte”, disse o relator especial sobre a situação dos direitos humanos nesse país, Tomás Ojea Quintana.

Relator especial sobre a situação dos direitos humanos na Coreia do Norte. Foto: ONU/Pierre-Michel Virot

Relator especial sobre a situação dos direitos humanos na Coreia do Norte. Foto: ONU/Pierre-Michel Virot

Um especialista independente da ONU fez nessa semana (25) um apelo urgente para reduzir as tensões políticas e militares na Península da Coreia em meio à continuação dos testes de mísseis pelas autoridades em Pyongyang, Coreia do Norte. Segundo o especialista, a “guerra de palavras” já está impactando cidadãos comuns.

“O recente aumento da retórica de conflitos está agravando desafios já críticos de direitos humanos na Coreia do Norte”, disse o relator especial sobre a situação dos direitos humanos nesse país, Tomás Ojea Quintana.

“Num momento em que a comunidade internacional precisa se unir para proteger os direitos das pessoas na Coreia do Norte, estamos testemunhando um aumento da incitação ao confronto armado”, disse ele.

“Declarações que alimentam o ódio e a polarização não fazem nada, mas minam oportunidades para melhorar a terrível situação de norte-coreanos comuns”, afirmou o especialista em direitos humanos.

O apelo do relator especial segue uma série de declarações e ações militares que alimentaram tensões na região, incluindo o programa de testes de mísseis nucleares e balísticos da Coreia do Norte e a implantação de um grupo de porta-aviões dos Estados Unidos na região.

“Cabe a todos nós diminuir as tensões e restabelecer o diálogo, inclusive sobre os direitos humanos. Mas os Estados-membros da ONU, em particular a Coreia do Norte e outros governos envolvidos nas hostilidades atuais, têm que assumir a grande responsabilidade de preservar a paz e a estabilidade, de acordo com a Carta da ONU”, observou Quintana.

A Coreia do Norte permanece sujeita a sanções internacionais e unilaterais, uma tentativa de conterseu programa nuclear. Apesar disso, o país teria realizado cinco testes nucleares desde 2006 e continua a realizar lançamentos de mísseis de longo alcance regularmente.