Especialista da ONU quer respeito de Israel com o cessar-fogo em Gaza

Falk afirmou que pescadores e agricultores palestinos correm o risco de de serem baleados ou detidos por forças israelenses.

Um homem no campo de refugiados de Jabalia, na Faixa de Gaza.

“Israel deve respeitar e implementar totalmente o acordo de cessar-fogo que pôs fim à recente crise em Gaza”, disse o Relator Especial sobre a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados por Israel em 1967, Richard Falk. O relator acaba de concluir uma visita na Faixa de Gaza e na capital egípcia, Cairo.

“A experiência tem mostrado que Israel não cumpre sua obrigação internacional de investigar prontamente e imparcialmente suas próprias ações”, disse Falk, acrescentando que outras experiências demonstram que o país não é capaz de respeitar obrigações de cessar-fogo e que, durante sua visita em Gaza, ouviu aviões israelenses e relatos de incursões militares na região.

Falk ressaltou a necessidade de esclarecer como certos aspectos do cessar-fogo serão implementados, especialmente aqueles sobre o acesso aos recursos marítimos e agrícolas, bem como serviços básicos, como água potável e saneamento. “A cada dia os pescadores e agricultores palestinos correm o risco de serem baleados ou detidos por forças israelenses. Desde que o acordo foi alcançado, Israel prendeu 13 pescadores, confiscou quatro barcos de pesca e afundou outro barco de pesca”, disse Falk. Segundo o especialista, essas ações demonstram como o país de Benjamin Netanyahu mantém um tipo de ocupação coercitiva ao invés de explorar os benefícios do cessar-fogo para um futuro mais esperançoso.

O cessar-fogo entre Israel e o grupo palestino Hamas, que controla Gaza, foi anunciado em 21 de novembro, pouco mais de uma semana após o início da mais recente onda de violência mortal entre as duas regiões. Os confrontos deixaram 158 palestinos mortos, incluindo 103 civis, e cerca de 1.269 feridos. Seis israelenses, quatro civis e dois soldados, foram mortos por disparos de foguetes palestinos e 224 israelenses ficaram feridos, em grande maioria civis.

Segundo o relator, embora existam planos para projetos de infraestrutura em Gaza, os doadores estão relutantes em investir em projetos que possam ser bombardeados por Israel. “A menos que os problemas na região sejam abordados em breve, parece que Gaza será inabitável até 2020, como previsto por um relatório recente da ONU. Alguns dos especialistas com quem falamos acreditam que 2016 é uma avaliação mais razoável. Isso indica a gravidade da crise de direitos humanos na Faixa de Gaza”, completou Falk.